Clique de Andréia Laimer numa parede de esquina da Cidade Baixa, escrito a giz a singela e definitiva frase:
quinta-feira, setembro 05, 2013
quarta-feira, setembro 04, 2013
LADODENTRO ENTREVISTA: ALICE RUIZ
Entrevista com Alice Ruiz. Temas fundamentais: haicai, canção, poesia. Sempre bom de se ler e ouvir. E pra falar sobre poesia tem que passar por ela. http://www.aliceruiz.mpbnet.com.br/index.html.
névoa na estrada
um trem para Praga
tarde cinza
toda azaleia
arde em rosa
Existe um tema central na poesia
de Alice Ruiz? ou todo tema cabe em sua poesia desde que lhe faça
sentido?
Quando se trata de haicai, o
tema é sempre a natureza, para seguir o modelo nipônico Quando
acontece um terceto sobre a natureza humana, prefiro chama-lo assim:
terceto. Na letra de música, onde tenho
também um compromisso de que seja poética, é mais comum que o
tema seja a natureza humana, com ênfase nos relacionamentos. Até porque é uma
forma de conversar mais de perto com o ouvinte, seduzi-lo de imediato. Já a poesia ela mesma, no sentido
ocidental, permite uma gama bem maior de temas e assuntos.
O haicai, gênero em que você contribui para qualificar e popularizar no Brasil, e que concentra boa parte da sua produção, como você analisa o interesse pelo gênero e seu poder de atração que desperta em leitores e autores?
Primeiro de tudo, o seu poder de
síntese, perfeito para um tempo sem tempo como o que vivemos. Além disso, devolve a natureza,
ou a imagem/lembrança dela, ao meio urbano.E o exercício principal do haicai
além da síntese, é não colocar a subjetividade, o "eu" do autor nos
versos. Nesse caso, sua leitura permite que nos sintamos mais integrados
ao todo e menos envolvidos, ainda que por um breve momento, com nossas
intermináveis e até enfadonhas questões pessoais.
As aproximações entre poesia e
canção não são mais novidade. Você, que escreve para o canto e para a página e
aproxima tão bem a poesia cantada e a poesia de livro (como o livro Poesia Pra
Tocar no Rádio) pode traçar outras informações sobre criação entre essas
duas áreas de atuação?
A letra, diferente do poema
para ser lido, pede métrica mais rígida, rimas mais frequentes, incidência
das tônicas e, principalmente, coloquialidade. Creio que essas são as
principais diferenças. Quanto às semelhanças, a letra pede tanta verdade,
elaboração e criação de linguagem, quanto o poema escrito.
Fale sobre a concepção e projeto do belo livro Hai Tropikais, desde o formato (cartão), projeto gráfico, até a parceria da autoria.
Não poderia, a concepção e
edição foi do Guilherme Mansur, poeta de Ouro Preto. Foi dele a iniciativa
de selecionar alguns haicais meus e do Paulo Leminski e publicá-los nesse
volume. Inclusive o título é dele. Nós a recebemos como um presente.
A poesia no mercado editorial é sempre complexa, na sua opinião a poesia deve cada vez mais sair do livro e ganhar outros suportes? você acha que isso pode gerar um número de leitores mais expressivo?
A poesia já migrou para
vários suportes. Na música, por exemplo, temos no Brasil a melhor canção
do mundo, provavelmente porque nossa canção conta com letras altamente
poéticas, além é claro, de compositores musicais inspiradíssimos. E a poesia mais sintética já está no
out-door, nos muros, nas camisetas, no vídeo texto, na holografia, na internet. Parece mesmo perfeita para as novas
tecnologias. E quanto mais suportes tivermos,
melhor será. Quem sabe até possa a vir alterar o
comportamento do mercado editorial. Ouço desde menina que a poesia
está morrendo, e a sinto e vejo cada vez mais viva.
Duas ou três dicas na hora de escrever o poema que Alice Ruiz considera fundamentais.
Creio que isso está
respondido na pergunta quatro. Verdade, elaboração de linguagem,
formas novas de dizer o já conhecido, mas também de dizer o novo. Familiaridade com a linguagem e para
isso ler muita poesia, teorias sobre poesia, e mesmo prosas que
acrescentem conhecimento e idéias poéticas. Universalidade, isto é, falar do
que é comum a (e sobre) um maior número de pessoas. Só que tudo isso é feito antes. Na hora de escrever o poema, o
ideal é já ter assimilado de tal forma esses fatores, para que o poema
nasça espontâneo. Para que a intenção de faze-lo não apareça.
quarta-feira, agosto 28, 2013
ENTREVISTA POÉTICA - ARMINDO TREVISAN
Terça feira, 27 de agosto. A terceira edição do projeto Entrevista Poética recebeu o poeta Armindo Trevisan. Além de apresentar seu novo livro de poemas, Adega Imaginária, o autor divagou a respeito de poesia, influências, criação, arte e filosofia, e o bate papo durou mais de 2 horas. Armindo Trevisan desenvolveu cada pergunta colaborando imensamente com a conversa. A Entrevista Poética é produzida mensalmente na Livraria Saraiva por Diego Petrarca e Lorenzo Ribas.
domingo, agosto 25, 2013
sexta-feira, agosto 23, 2013
TEXTOS DAS OFICINAS
Produção das Oficinas Literárias pela Descentralização da Cultura , bairros Cristal e Assunção. Toda semana um texto de cada turma.
http://descentralpoa.blogspot.com.br/2013/08/mais-textos-das-oficinas-de-literatura.html
terça-feira, agosto 20, 2013
quarta-feira, agosto 14, 2013
A PROSA DO POEMA - LIVRARIA SAPERE AUDE
Oficina Literária na Livraria Sapere Aude: A Prosa do Poema, ministrada por Diego Petrarca Toda terça até meados de setembro. Uma generosa recepção da livraria e um espaço ideal para leitura e práticas literárias.
sexta-feira, agosto 09, 2013
DE DOIS EM DOIS - temporada & memória da lua
Poemas inéditos da nova safra que seguem em fase de produção. Antes de ler, ouvir. Ouvir como forma de ler. Não ler se não gostar de ouvir. Ouvir com os olhos na página. Quando os poemas saírem pulicados (em livro, revista - aluns já foram - plaquete, adesivo ou outro suporte) será possível perceber que todos foram escritos em no máximo 12 versos. Por enquanto, apenas ouvir. Aos poucos, os poemas seguem apresentados aqui sempre DE DOIS EM DOIS.
DE DOIS EM DOIS:https://soundcloud.com/diegop-3
quinta-feira, agosto 08, 2013
ENTREVISTA NO O CAFÉ
Entrevista para o site O Café, que o ativista cultural e jornalista João Pedro Wapler fez com Diego Petrarca, confere lá http://www.ocafe.com.br/2013/07/31/a-revolta-existe-antes-da-escola/
sábado, agosto 03, 2013
QUINTANAÇOS
Semana Quintanares na CCMQ, uma produção do Jornal Vaia com participação de uma equipe atenta e disposta a colaborar. Leituras, Oficinas, debates, atividades e a Bambucicloteca na programação do Cabaré Do Verbo. O poetaço Quintana merece!
quinta-feira, agosto 01, 2013
BASTA LER POESIA
Grupo da Oficina dentro da programação especial sobre Quintana na CCMQ. Uma bela troca de ideias e pontos de vista sobre o artesanato da linguagem e um repertório de poemas especial.
terça-feira, julho 30, 2013
SARAU QUINTANA
Sarau sobre Mário Quintana na CCMQ, dentro da programação especial de aniversário do poeta. Com Cristiane Cubas, Cristina Macedo, Eliana Mara Chiossi, Jornal Vaia e Nanni Rios.
quarta-feira, julho 24, 2013
LADODENTRO ENTREVISTA: LUIZ TATIT
Uma rápida entrevista sobre letra e música e outras mumunhas mais com Luiz Tatit.
O músico, compositor e teórico Luiz Tatit é graduado em Letras (Lingüística) pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (1978) e em Música (Composição), pela Escola de Comunicações e Artes (1979) da mesma universidade. É membro fundador do Grupo Rumo, representante da vanguarda musical paulista da década de 1980. Com o Grupo RUMO, incluindo compactos, Luiz Tatit gravou no total seis discos, relançados em 2004. Além da música, Luiz Tatit desenvolve na USP pesquisas em semiótica, a ciência que estuda o sentido em diferentes linguagens: verbal, musical, teatral, etc.
Em que momento você despertou o
interesse pela dinâmica linguística das palavras das canções?
Você se refere aos elementos linguísticos presentes na letra da canção? Comecei a prestar uma atenção especial nas letras das canções a partir do movimento tropicalista. Senti nessa época que surgia um tipo de letra inexistente até então. O LP Tropicália e os primeiros discos do Caetano e do Gilberto Gil foram os que mais despertaram meu interesse.
A poesia
naturalmente destaca a sonoridade das palavras. Mas um texto sem apelo sonoro
(rimas, aliterações) pode também demonstrar-se como musical?
A sonoridade das palavras não deixa de ser um
elemento a considerar no acabamento de uma letra. Mas, para a maioria dos
compositores, isso não chega a ser decisivo. O aspecto da linguagem que mais
contribui para a composição é a inflexão entoativa do texto. A maneira melódica
de falar é mais importante para o cancionista do que as rimas, as assonâncias,
etc. que nem sempre aparecem nas canções. A sonoridade das palavras é bem mais
aproveitada no campo da poesia. Os letristas também dela fazem uso, mas nem
tanto. As entoações que indicam o caminho para as frases melódicas são bem mais
determinantes.
Suas
letras são verdadeiras aulas da metalinguagem, tanto no âmbito musical quanto
verbal. Como você percebe a necessidade do artista voltar-se a própria
linguagem ?
Não vejo nenhuma necessidade de se fazer metalinguagem. Acho até que isso é
vício de quem desenvolve reflexão sobre a linguagem, no caso a linguagem
cancional. Se a metalinguagem for usada com discrição e parcimônia, acho
aceitável, mas quando se faz notar sem muita justificativa, me incomoda. Bons
compositores, como Jorge BenJor, Erasmo Carlos ou Djavan, por exemplo, não
precisam lançar mão desse recurso.
Em seu livro Análise Semiótica
através das Letras, você menciona a semiótica tensiva, fale a respeito
dela a partir da perspectiva letra e música.
A semiótica de hoje tem operado com noções
básicas que primordialmente eram apenas do domínio musical. Por exemplo,
“acentuação”, “andamento” e “temporalidade”. São conceitos que ajudam a
compreender a compatibilidade entre melodia e letra.
Tudo Comer /
tudo dormir /tudo no fundo do mar. Essa letra de Caetano aproxima a canção (de ninar) representada musicalmente
pela pronúncia musical da letra M (mmmmm...) que remete ao elemento do Mar
(mencionado na letra), que também é algo que embala. Essas relações são exemplo
de aproximação semiótica entre poesia e música?
São na verdade exemplos de influência da poesia na canção. Essa canção em
especial é bem resolvida, mas em geral os recursos que servem para a poesia não
se adaptam bem à letra de canção. Tornam-se pouco “naturais”. Os bons poetas,
normalmente, precisam treinar muito para chegar a fazer boas letras. Só poucos
conseguem. O inverso também é verdadeiro.
Existe
alguma reflexão sua sobre a apresentação gráfica dos poemas (verso espalhado na
página) e as partituras musicais. Ou seja, a proximidade visual do poema
tal qual a visualização de uma partitura?
Jamais. Canção é para ser ouvida e não vista ou lida. Desde as experiências
renascentistas com o canto erudito evita-se estabelecer relações do tipo: falou
em céu, notas agudas; falou em inferno, graves. São efeitos ingênuos que se
tornam casos únicos, sem ligação estrutural com a linguagem da canção. Poesia é
uma coisa, letra é outra, muito diferente.
Em
que medida as regras gramaticais convencionadas podem ser sacrificadas em nome
de uma construção linguística criativa?
Se
você se refere à gramática normativa, essa que corrige o falante ou o usuário
da língua, ela pode ser inteiramente sacrificada. Mas isso nem é gramática, de
acordo com a linguística. Gramática é o que ordena nosso discurso mesmo que não
tenhamos nenhuma consciência desse poder. Todos os discursos que somos capazes
de produzir são regidos por essa gramática interna. Portanto, jamais falamos
errado. Não temos o que sacrificar.
Você
concorda que pelo fato de boa parte da poesia ter migrado para as canções, a
mídia ideal para o poema seja o disco (de leitura) tanto quanto o livro
impresso?
Não
creio que a poesia tenha migrado para a canção. Poesia e letra não se
confundem. O que se percebe atualmente é que cada vez mais poetas experimentam
fazer letras para obter maior divulgação do trabalho. Quando conseguem,
sentem-se estimulados a produzir mais nessa área e, muitas vezes, abandonam a
poesia. Mas há também os que se cansam das letras e voltam para a poesia.
Provavelmente (isso é pura conjectura), tanto as poesias como as canções terão
no futuro uma vida bem mais virtual do que real. Acontece que tudo indica que o
mundo virtual será a principal realidade do futuro.
segunda-feira, julho 22, 2013
CABARÉ DO VERBO E BAMBUCICLOTECA: ESPECIAL QUINTANA
Edição especial do Cabaré Do Verbo na programação 107 anos Mário Quintana na CCMQ. Entre várias atividades sensacionais, mais uma edição da Bambucicloteca.
A Bambucicloteca, biblioteca móvel, conduzida por uma bicicleta feita de bambu e ponto de encontro das artes, promove a atividade interativa Quintana em Voz & Verso, onde se pode ouvir 25 áudios dos poemas do Quintana lidos por ele mesmo, trocar livros e ainda realizar uma gravação ao vivo de sua leitura de algum poema do poeta. Poetas mediadores: Diego Petrarca e Andreia Laimer.
Evoé Cabaré!
Programação completa: http://cabaredoverbo.blogspot.com.br/
sábado, julho 20, 2013
EDIÇÃO DO UIVO
Presente do querido amigo Alecsander Portilio, que trouxe dos States essa joia rara, a edição original da livro Uivo, lançado em 1956 por Allen Ginsberg, um marco da poesia beat.
quinta-feira, julho 18, 2013
LER QUINTANA
Uma super programação em homenagem ao nosso poeta Mário Quintana, "Ler Quintana": 107 anos" Confira as leituras, oficinas e atividades da programação. Diego Petrarca estará ministrando um dos módulos da Oficina Para Gostar de ler poesia, basta ler… poesia, além da Mesa de Debate e leituras com Sidnei Schneider. Veja a programação: http://www.ccmq.com.br/lerquintana/
quarta-feira, julho 17, 2013
ENTREVISTA POÉTICA
Um super encontro ontem na Saraiva, a Entrevista Poética recebeu o poeta Ricardo Silvestrin, quase duas horas de uma ótima conversa sobre sua trajetória e reflexões sobre a Senhora Poesia.
domingo, julho 14, 2013
1982
Porquinho-da-Índia
Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele prá sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas . . .
— O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.
Manuel Bandeira
Diego Petrarca aos 2 anos de idade - 1982.
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