terça-feira, novembro 29, 2011

MOSTRA POESIA QUE PERGUNTA



O Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) inaugura dia 6 de dezembro, às 19h, a mostra de trabalhos elaborados na Oficina Literária Dinâmica da Síntese – Poesia que Pergunta, com Diego Petrarca, um dos diversos eventos que integrou a programação do Porto Poesia 5, em outubro deste ano. As atividades foram realizadas e promovidas pelo CCCEV e pela Porto Poesia Produtora.

O material, produzido pelo Bando HoburacoPaulo Ohar, Mariah de Olivieri, Delma Gonçalves, Bernadette Saidelles, João Alberto Luiz e Dênia Palmira, contando ainda com a participação de Domingos Sávio, será exposto nas escadarias do 2º e 4º andares da instituição.

O público poderá visitar até o dia 17 de dezembro, de terça à sexta-feira, das 10 às 19h e no sábado, das 11 às 18h, na Rua dos Andradas, 1223, Centro Histórico de Porto Alegre. A entrada é franca. Informações pelos telefones (51) 3228.9710 – 3226.5342 – 3226.7974.





segunda-feira, novembro 28, 2011

LADODENTRO ENTREVISTA - ARNALDO ANTUNES



"A poesia se libertou dos livros para ocupar vários suportes diferentes, isso é muito rico e também muito sedutor para os poetas enfrentarem, a maneira da poesia estar incorporada a vida das pessoas, seja no elevador, no muro, na tela do computador, na tela de cinema, enfim, na camiseta estampada... eu acho que isso traz a poesia para a vida de um jeito muito legal e cada suporte desse acaba exigindo um diálogo do poeta com um meio diferenciado e isso dá um resultado muito bacana".



O poeta e compositor Arnaldo Antunes respondeu algums perguntas em sua passagem por Porto Alegre, quando apresentou seu show Iê Iê Iê, pela segunda vez na cidade. Pouco antes de começar a sua palestra sobre poesia e criação no teatro Túlio Piva, em julho de 2011, gravei as respostas que Arnaldo concedeu, cujo foco foi basicamente o que ele comentou em 1 hora de bate papo em sua palestra: poesia, criação e afins.


A opção pela música foi uma forma de desenvolver a poesia?

Não necessariamente existe uma hierarquia na minha cabeça entre música e poesia. Na mesma época em que eu manifestei o meu desejo de compor e ter aula de violão, na adolescência, foi no mesmo período em que eu me interessei por poesia. As duas coisas juntas, poesia e canção, me influenciaram ao mesmo tempo. Na verdade eu me considero um artista da palavra que exercita ela em outras linguagens. Eu não faço música instrumental, faço canções. Não faço artes visuais apenas, faço poemas visuais, mas sempre envolve o trato com a palavra e a sua especificidade em cada código. Na minha cabeça essas duas coisas caminham paralelamente, sem haver prioridade entre uma em relação a outra.

Entre seu primeiro livro, OU E, que era uma caixa com poemas caligráficos e o Psia, seu primeiro trabalho de poemas para livro, existe algum relação entre essas duas primeiras obras?

O primeiro era um livro todo artesanal, todo ele feito em caligrafia, cada trabalho era um tipo de dobra diferente, um tipo de papel diferente, um livro todo feito a mão mesmo. Fiz 500 exemplares, edição de autor, nunca reeditei, porque também é difícil reeditar. Só na antologia que saiu pela Publifolha, Como é que chama o nome disso (2006), que saíram alguns trabalhos desse livro. A diferença é que o primeiro é um livro muito específico, um livro-caixa, para ver os poemas numa ordem que você mesmo determina, e o Psia não, já é um livro num formato mais convencional. Mas mesmo no Psia tem muitos trabalhos visuais, a linguagem gráfica associada ao verbal sempre fez parte da minha produção, é uma preocupação constante, claro que isso aparece mais em alguns poemas do que em outros, tem uns mais verbais, tem outros em que o aspecto visual é mais evidente. E a caligrafia é algo que eu continuei fazendo, é uma paixão, é uma ideia de entonação da escrita, assim como existe uma entonação da palavra nas canções, tem uma entonação visual na caligrafia, a maneira de grafar manualmente as palavras acaba dando novos sentidos a ela. Isso eu desenvolvi em outros trabalhos, fiz uma exposição já nos anos 2000, só de caligrafia, sempre em meus livros tem algum trabalho caligráfico, é mesmo uma paixão.

Letra de música e poesia são processos de criação diferentes? Eu lembro que a canção O que ganhou uma versão impressa e saiu no seu livro de 1986, Psia, com aquele formato visual circular. Você pensa o poema para página do mesmo modo que você pensa para a canção, ou as duas coisas se confluem?

Essa é uma pergunta bem ampla, envolve várias coisas. Eu faço conferências que são quase todas sobre isso. Eu acho que são linguagens diferentes sim. A letra a canção está numa situação de linguagem diferente da letra impressa no papel, mas a poesia hoje em dia tem muitos suportes e cada suporte exige um tratamento diferente do uso da palavra, ao mesmo tempo existe uma intersecção, essa matéria em comum, a palavra em si que ocorre na canção e nos poemas, tem diferenças, mas existe essa intersecção.

O que é para você uma poesia de invenção?

Uma poesia curiosa, de querer experimentar novas soluções para além do que já se conhece.

Oswald de Andrade Paulo Leminski e são duas referências suas, que impacto esses autores tiveram em sua formação? quais as novidades poéticas desses autores que você incorporou?

Oswald de Andrade eu conheci ainda no colégio, na adolescência e me encantei com a poesia dele, muito sintética, ao mesmo tempo muito coloquial, muito solta, a sintaxe próxima da fala, aliás eu acho que Oswald era muito próximo da música popular que vinha se fazendo nos anos 20, Noel Rosa, Lamartine Babo, embora ele não tenha tido convívio com esses compositores. O cineasta Júlio Bressane forjou esse encontro em seu filme Tabu, de 1982. O Leminski, desde a primeira vez que li as coisas dele eu me encantei, me apaixonei pelo Catatau, foi o primeiro livro dele que eu li. Conheci ele pessoalmente, quando ele ia para São Paulo ficava hospedado lá em casa, grande amigo e poeta admirável, ele conseguia juntar a erudição com a contracultura, do punk, do underground, ele era um poeta muito culto, pegava s referências da poesia mais antiga, Li Tai-Po, Homero, as leituras clássicas, e ao mesmo tempo pegava o que havia de potente nisso e trazia para o universo contracultural em que ele atuava.

Você utiliza muito em sua poesia a linguagem infantil gerando um efeito poético, o livro As Coisas, é todo feito a partir do olhar infantil, depois o livro que você organizou Frases do Tomé, qual outro tipo de linguagem da fala que desconcerta a linguagem e que possa ser útil a poesia?

O Antônio Risério tem aquele livro Oriki Orixá, onde ele fala das culturas tribais e da necessidade de incorporar a nossa historiografia literária esss textos quw são textos quw não considerados e são registros de criações orais e não são escritos, como se fosse a infância da poesia nas culturas primitivas, tem uma coisa muito interessante e surpreendente nisso. Tem um poeta americano que trabalha muito com isso, a chamada etnopoesia, o Jerome Rothenberg. É uma poesia a ser descoberta, essa dos cânticos das tribos indígenas, do candomblé, culturais orais que desenvolvem uma linguagem que na verdade não pretendem ser poesia, pois são culturas orais onde não se diferencia poesia e culto, brincadeira e vida.

domingo, novembro 20, 2011

DENTES DA MEMÓRIA




Concebido para um trabalho de conclusão de curso e lançado pela editora Azougue Editorial agora em 2011, Dentes da Memória desenvolve a representação da poesia beat no Brasil, concentrada na cidade de São Paulo nos anos 60. 

Tendo os poetas  Roberto PivaClaudio WillerAntonio Fernando de Franceschi e Roberto Bicelli como grupo núcleo, o livro apresenta documentos dessa geração que esteve afinada com a proposta poética e comportamental da poesia beat, em que a vida e a poesia estavam interligadas como duas instâncias inseparáveis. O retrato dessa experiência e período da poesia brasileira merecia esse resgate, porque normalmente a geração de 45 e poesia concreta são as mais constantes referências desse período, seguido da poesia marginal dos anos 70, talvez a mais familiarizada com a identidade beat. 

Esse quarteto de autores paulistas fez história e produziram um conteúdo com clara personalidade literária. Dentes da Memória é um livro fundamental e completo nesse sentido, fruto  de 4 anos de pesquisa e entrevistas conduzidas pelas jornalistas Renata D'Elia e Camila Hungria.

quinta-feira, novembro 17, 2011

LIÇÃO DO DIA





Lição do dia, baseado em uma fotoarte, saiu em ZH nessa quinta, 17 de novembro. "Crimes suaves que ajudam a viver", já dizia o essencial e absoluto Drummond.

terça-feira, novembro 15, 2011

TRECHO PUTZPOESIA



Ouça um trecho do programa PutzPoesia, toda sexta as 19:00 na http://radioputzgrila.com.br/site/, com Fernando Ramos e Diego Petrarca.
Confira também o blog do programa http://putzpoesia.blogspot.com/

trecho: http://minicasts.podomatic.com/play/1430063/2633021

A VIDA NÃO BASTA - LEITURA SOBRE FERREIRA GULLAR NA FEIRA DO LIVRO






A Vida Não Basta: leitura sobre poemas de Ferreira Gullar domingo dia 13/11 na Feira do Livro. Público numeroso e um panorama da obra do poeta. Canções, informações sobre o autor, além de trechos de uma entrevista e depoimentos exclusivos concedidos pelo poeta, como este que segue abaixo. Com Andréia Laimer, Diego Petrarca, Guto Leite e Lorenzo Ribas.



"É com muita alegria que me dirijo a ...vocês, visitantes da Feira do Livro de Porto Alegre. Este é um evento tradiconal que tem contribuido amplamente para a difusão do livro e o estímulo à leitura. Se digo isso é porque o livro - a literatura enfim - tem para mim grande importância, pois é ela um dos fatores constitutivos de nossa vida, de nossa condição de ser humano, já que o que somos são os valores que inventamos e dão sentido à existência. Além disso, a literatura, como a arte em geral, tornam a vida mais rica, mais bela. Daí porque costumo dizer que a arte existe porque a vida não basta." 

F. Gullar.

sábado, novembro 12, 2011

YÛGEN - TOMIE OTHAKE E HAROLDO DE CAMPOS







Yûgen, significa, profundidade e mistério. Foi um trabalho verbovisual composto pela pintora japonesa radicada em São Paulo Tomie Othake e o poeta Haroldo de Campos. Reunidas num álbum, essas pinturas poemas foram lançadas em 1998 e incorporam a pintura da letra ao traço, a frase manuscrita é também o traço da pintura. Um belo resultado intersemiótico entre verbo e imagem, gerando nessa fusão um signo artístico  para ler e ver. 

terça-feira, novembro 08, 2011

MARCADORES DE PÁGINA DA LETRAS & CIA

Genial o projeto da livraria Letras & Cia de estampar poemas nos marcadores de página,  o objeto que divide e pontua a pausa da página na leitura torna-se também uma peça literária. Dentre outros autores que enviaram seus textos para essa prática está Diego Petrarca. O mesmo marcador ainda traz textos de Alexandre Luchesse e Marcos de Andrade





A VIDA NÃO BASTA

Dia 13 de novembro, domingo, leitura na 57ª Feira do Livro sobre Ferreira Gullar. Na Tenda de Pasárgada as 20h. Um panorama da sua poesia desde seu segundo livro, A Luta Corporal, de 1954, até sua obra mais recente, Em Alguma Parte Alguma, de 2010, seguido de leituras em áudio do próprio autor. Com Andréia Laimer, Diego Petrarca, Guto Leite e Lorenzo Ribas, entrada franca. 



sábado, novembro 05, 2011

HOBURACO NA FEIRA DO LIVRO



O Bando Hoburaco em ações na Feira do Livro 2011: Leitura Íntima e poemas pergunta autorais, registrados em postais distribuídos em intervenções ao longo da programação do evento literário mais badalado do Rio Grande do Sul.  

terça-feira, novembro 01, 2011

MORADAS DE ORFEU




Diego Petrarca e outros poetas daqui estão integrando essa Antologia.

Moradas de Orfeu é uma antologia de 59 poetas do sul do Brasil. Novas vozes poéticas que habitam os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O poeta e crítico de teatro e literatura Marco Vasques organizou e agora distribui, gratuitamente, no dia 8 de novembro, na Fundação Cultural Badesco, a partir das 19h:30 min. Ano que vem tem lançamento em Porto Alegre.

O objetivo da Antologia é mostrar as divresidades e dicções poéticas da produção recente, apresentando a linguagem uma geração que produz poesia nos tempos de hoje.

FILME LEITURA SOBRE DRUMMOND



Olha só que máximo o filme produzido pelo Instituto Moreira Salles e realizado pela Mira Filmes sobre os 109 anos do poeta Carlos Drummond de Andrade comemorados ontem, 31 de outubro. Só nomes de peso da nossa cultura lendo poemas do mestre. Para assistir o filme é só clicar abaixo. Basta uma câmera em frente a uma pessoa lendo um texto. Todo cinema se faz: cinepoesia/cinepoema, como já dizia Godard. Dica de Marina Person, que também aparece no filme, Confira: 

http://vimeo.com/31252975

sábado, outubro 29, 2011

FEIRA DO LIVRO 2011





Na 57ª Feira do Livro de Porto Alegre, ano 2011: Oficina Literária Trânsito entre Gêneros , ministrada por Diego Petrarca , dias 4 e 5 de novembro, as 16:30 no CCCEV. E dia 13 de novembro, as 20:00 a leitura em homenagem aos 80 anos do poeta Ferreira GullarA Vida Não Basta,  com Diego PetrarcaAndréia LaimerLorenzo Ribas e Guto Leite.

As intervenções do Bando Hoburaco, grupo que se formou nas oficinas do CCCEV ao longo do ano de 2010, serão distribuídas entre as datas da Feira,  leitura  e postal poético em eventos determinados. Além disso, a exposição fotográfica dos poetas do projeto Cidade Poema http://t.co/1Ufjy9Ql vai acontecer na Casa do Pensamento ao longo de toda Feira do Livro, assim como a exposição Código Coletivo (foto abaixo) http://bit.ly/rMwHwm organizada por Sandra Santos, estará no  Memorial do Rio Grande do Sul também como parte da programação.

terça-feira, outubro 25, 2011

ENTREVISTA POÉTICA - CLÁUDIA TAJES


Nessa segunda feira, 24 de outubro, a 7ª edição de 2011 do evento Entrevista Poética, coordenado por Lorenzo Ribas e Diego Petrarca, na livraria Saraiva do Praia de Belas,  recebeu a escritora Cláudia Tajes. Além da sua temática das relações modernas entre homens e mulheres, Cláudia comentou seu trabalho na TV como roteirista e adiantou que em 2014 vai estrear como novelista. A graça do seu texto perpassa também na conversa e em sua simpatia, pouco mais de hora de uma conversa leve e sorridente. Valeu Cláudia!




quinta-feira, outubro 20, 2011

O OCIDENTE

Criado pelo artista e desenhista Rafael Espíndola, o poema de Diego Petrarca,  foi veiculado nos adesivos e em letreiros dentro do Projeto Cidade Poesia, em arte realizada por Guilherme Moojen.  Rafael agora apresenta sua versão, simplesmente sensacional.
  




sábado, outubro 15, 2011

PROGRAMA PUTZPOESIA





É toda sexta feira, as 19:00, na Rádio Puztgrila:  http://radioputzgrila.com.br/site/, Fernando Ramos, Diego Petrarca e Guto Leite, rock e poesia, leituras e canções, assuntos literários, convidados e informações sobre verso e prosa, palavra falada e cantada e muito som.  É só entrar no site e conferir, a poesia cantada e falada nas ondas sonoras da web.

sexta-feira, outubro 14, 2011

HOBURACO NO PORTOPOESIA


O bando Hoburaco, grupo formado em 2010 no CCCEV dentro da oficina de criação ministrada por Diego Petrarca, integrou mais um evento literário em Porto Alegre, o Portopoesia 5. A apresentação do grupo mostrou a produção individual dos autores Paulo Ohar (foto), Mariah de Olivieri, Delma Gonçalves, Bernadette Saidelles e João Alberto Luiz, contando ainda com a participação de Domingos Sávio. Dênia Palmira, outra integrante do grupo, não estava presente. Hoburaco orientou a sessão de leituras, que prosseguiu com a participação de outros autores e o público em geral colaborando com leituras próprias. Hoburaco já integrou eventos como o Festipoa Literária 2011, Sarau com Ritmo, Homenagem a Drummond na CCMQ, entre outros, além do Portopoesia, o grupo prepara sua intervenção durante a Feira do Livro 2011.

sábado, outubro 08, 2011

LADODENTRO ENTREVISTA - CHICO AMARAL



Chico Amaral é um dos mais atuantes letristas da música popular brasileira. Praticamente é o quinto integranteda banda mineira Skank, sendo co-autor de grande parte do repertório do grupo. Parceiro também de Milton Nascimento, Ed Motta, Beto Guedes, Erasmo Carlos, Lô Borges, Totonho Villeroy, Affonsinho, entre outros. Como compositor foi gravado por diversos nomes da MPB, como Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Cidade Negra. Chico Amaral é saxofonista e ganhou o prêmio de melhor instrumentista do concurso BDMG para compositores de música instrumental, edição 2007. Como letrista, Chico Amaral  torna-se poeta da canção e nos faz perceber que música e poesia serão sempre complementares. Os discos Livramento, de 2002 e Singular, de 2007, são trabalhos de Chico Amaral como letrista e instrumentista, mais afastados da linguagem pop presente nas canções com o Skank, deixando mais clara sua sofisticação musical.  http://www.chicoamaral.com.br/

Como você perecebe a letra de música com um status de poesia?

Chico Amaral - Jack Kerouac notou a beleza das frases de Charlie Parker, tão longas e surpreendentes, dizia ele, como as frases de Proust. O que aproxima um pouco o jazz da poesia é essa presença da frase. John Coltrane cria padrões musicais tão novos no seu fraseado que remete à recriação do mundo alcançada pelos poetas. O mesmo sinto em relação a Miles Davis e Wayne Shorter, com sua extrema originalidade. São poetas, eu sempre penso. Coltrane e Parker seriam poetas - prosadores. Há, também, uma forte analogia do jazz, e de outros tipos de música, com a pintura. A frase, os sons, o timbre, criam linhas e cores no espaço que preenchem. O jazz é cheio disso, lembra às vezes o cubismo, outras o abstracionismo, como o free de Ornette Coleman. Charles Mingus tem uma composição que se chama Self-Portrait in Three Colours.

Você tem ou terá algum projeto de publicar um volume com poemas somente impressos?

Chico Amaral - Não. Tenho feito coisas com Leo Minax, um mineiro radicado em Madrid, que lembram a poesia dos livros. É importante lembrar que existe poesia sem o livro, como em Homero, por exemplo, ou Bob Dylan. Existe até poesia sem o poeta! “A canção cantada por si mesma”, como escreveu Carlos Drummond.

Fale sobre o início de sua atividade de letrista ofcial da banda Skank.

Chico Amaral - Comecei a tocar com Samuel Rosa em conjuntos anteriores ao Skank. Depois alguém lhe contou que eu era letrista. Uma das primeiras letras que escrevi pro Skank dizia: “desde que você me disse nem/saber quem foi John Coltrane/e Noel Rosa era alguém/que seus tios gostavam bem(...)”. Fizemos muita coisa juntos. Samuel é meu grande intérprete, com o Skank, claro.

Como se dá o seu processo de elaboração da letra/poemas a partir da canção?

Chico Amaral - Começa por ser uma idéia poética. Gosto das frases escritas na cidade. Talvez o ônibus seja até melhor que o livro, tenha mais urgência, menos comodidade. Se você não ler aquilo, nunca mais, de repente, poderá fazê-lo. Eu leio tudo pelo caminho, a cidade é um grande livro caótico. Gosto de encontrar nomes de lojas bem escolhidos, em bom português: a Cantina do Lucas, Casa da Farinha, A Favorita, etc. Outro dia imaginei um nome cômico-ridículo: “Joaquim Silvério, o Rei da Traíra”. Seria ótimo encontrar, no metrô, um poema de Gregório de Matos, por exemplo.

Quais suas influências na poesia? elas se confundem com as influências musicais?

Chico Amaral - Gosto de muita gente, de João Cabral de Melo Neto a Arnaldo Antunes. É importante lembrar também a quantidade de compositores que operaram com versos mais prosaicos, aparentemente, e de enorme beleza e precisão: Dorival Caymmi, Vinícius, Erasmo Carlos, Noel Rosa, Lamartine Babo. “Eu vou pra Maracangalha, eu vou/eu vou de chapéu de palha, eu vou”. Como afirmar que isso é menos poético? Caymmi é um dos meus ídolos, toco e canto suas músicas no violão, direto.

Existe, em sua percepção, algumas palavras ditas pela música instrumental, isto é, mesmo na música sem palavras as palavras insinuam-se?

Chico Amaral - Não sei. E olhe que meu ofício é colocar palavras nas melodias que os parceiros enviam. Gosto de música instrumental, sem palavras. Para além das transformações que a palavra consegue – e para Guimarães Rosa ela consegue o infinito – está o claro enigma da música. Não precisa de palavras.

A atenção voltada para a poesia da canção, seu-se muito a partir da atotude di Vínicius de Moraes, poeta de livro que começou a escrever letras e com isso inauguraou um novo estilo em sua poesia. Você se sente continuando esse legado aberto por Vinícius?

Chico Amaral - É, foi a partir de Vinícius, assim como foi a partir de Catulo da Paixão Cearense, de Orestes “Chão de Estrelas” Barbosa, de um monte de gente. Minha mulher me pede pra publicar um livro, mas de crônicas que eu escrevi no jornal em 2001/2002. Não sei. Livro com minhas letras não. Talvez uma miscelânea com textos e aquelas letras mais malucas que não servem pra ninguém.

A poesia Beat usou o jazz como inspiração poética. Você acredita numa escrita do improviso tal qual foi possível musicalmente no jazz?

Chico Amaral - O jazz recuperou a grande arte do improviso. Bach, Mozart, Beethoven, Chopin, todos foram exímios improvisadores. No Brasil, Pixinguinha improvisava com os 8 Batutas. E Jacob do Bandolim. O improviso é para os mestres. Por trás do improviso está uma vida de estudos e preparação. O improviso não se dá em dez minutos. Ele é a cristalização de dez anos! Quanto à letra, os improvisadores que a gente conhece são os repentistas e os rappers. Criam ali na hora, em cima do modo ou da batida. Noel às vezes parece ter a rapidez do improvisador, com versos escritos no guardanapo do bar.

sexta-feira, setembro 30, 2011

PUTZPOESIA NA PUTZGRILA



Dia 30 de setembro e 2011, estreou o programa PutzPoesia na rádio Putzgrila, com Diego Petrarca, Guto Leite e Fernando Ramos.  No programa de estréia, poesia concreta e outros assuntos relacionado a música e poesia. Fique ligado, toda sexta, das 19:00 as 20:00 PutzPoesia na rádio Putzgrila, música, poesia e convidados nas ondas da web. Sempre ao vivo. É só acessar o site toda sexta feira, as 19:00. http://radioputzgrila.com.br/site/