POSTAIS

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Quinta-feira, Fevereiro 16, 2012

ENTREVISTA COM DIEGO PETRARCA

Entrevista para o site sobre arte O CAFÉ, realizada pelo poeta João Pedro Wapler com Diego Petrarca, confira essa radiografia poética no link http://is.gd/fu3Riq.

Quarta-feira, Fevereiro 15, 2012

OFICINA LITERÁRIA NA CASA DE CULTURA

Estão abertas as inscrições para a Oficina Literária A Poesia fora do Poema, ministrada por Diego Petrarca. São 10 vagas e a inscrição é gratuita.
Confira no site: http://is.gd/21lFSo




Terça-feira, Fevereiro 14, 2012

BREVÍSSIMO PERCURSO DO HAICAI



Curiosamente, o haicai apareceu num poema com mais de três versos, dentro do gênero Tanka, poema curto tradicional japonês formado por 5 versos e 31 sílabas. A primeira parte do Tanka é um terceto e a segunda, um dueto. Antes de o haicai constituir-se numa expressão autônoma, era parte integrante do Tanka.

A popularidade do terceto assim como a sua independência do poema de 5 versos, foi acontecendo através dos tempos. Matsuó Bashô, ao renunciar a vida de Samurai e tornar-se um monge andarilho, eleva o haicai à condição de caminho da poesia (kadô), acrescentando a sua visão zen a criação poética. Em seguida, Buson, Kobayashi Issa e Massoka Shiki, responsáveis pela codificação definitiva do gênero, estabelecem novos padrões para o terceto, seguindo a escola de Bashô. A partir desse período o poema ganha vida própria e começa a ser praticado como forma original no Japão. Shiki é quem nomeia o terceto de haiku, (um híbrido de haikai e hokku), estabelece as regras clássicas para o poema, como as conhecidas dezessete sílabas ou fonemas, a integração com a natureza e referência a alguma estação do ano.

No Brasil, o já abrasileirado haicai, tem os primeiros sinais a partir das traduções de Monteiro Lobato em seu jornal no interior de São Paulo, em que era editor. O crítico literário Afrânio Peixoto, após a chegada dos primeiros imigrantes japoneses no Brasil, identificou o formato à brasileira com os conhecidos três versos em cinco, sete e cinco sílabas, respectivamente. Pode-se dizer que os primeiros escritos com a forma do haicai em terras brasileiras começou via modernismo deflagrado pela semana de 22. Nesse sentido, talvez os modernistas pretendessem incorporar o haicai como uma de suas práticas criativas com a poesia, a semelhança com o poema japonês estava no terceto enxuto e bem humorado, na linha poema-piada, com a ousadia coloquial e o despojamento inaugurado pela linguagem modernista. Há quem diga que esses textos não são propriamente haicais, outros defendem a ideia de que pela semelhança construtiva pode-se reconhecer nesses poemas modernistas uma continuidade dos princípios do haicai (brevidade e leveza), por exemplo, também praticados pelos poetas marginais dos anos 70, que levaram a tona as práticas modernistas com poemas breves e ágeis na linguagem.

O haicai era também debatido entre os autores modernos. Luís Aranha criou haicais em sua obra Cocktails. No livro A escrava que não era Isaura, Mário de Andrade mencionou influência do hanka e o haicai como “certos gêneros japoneses” em sua poesia. Oswald de Andrade, em muitos dos seus poemas, opta pela brevidade e textos curtos (muitos em terceto), tornando-se uma de suas marcas poéticas assim como uma das forças expressivas do próprio modernismo.

Na poesia moderna, o haicai é popularizado no Brasil, espalha-se na produção de vários autores e afirma-se como uma possibilidade criativa. Carlos Drummond de Andrade produz tercetos em seu livro de estréia, além de publicar haicais em revistas literárias e praticar a forma breve ao longo de sua obra poética. Outro modernista, Manuel Bandeira, além de traduzir haicais mencionou o gênero em seus versos de circunstância. Guilherme de Almeida conceitua a forma abrasileirada e divulga o haicai em seus artigos. Guimarães Rosa, em seu único livro de poesia, Magma, dedica uma parte com nove tercetos intitulados Hai-kais. O poeta Waldomiro Siqueira Jr, publica um livro inteiro de haicais. Mário Quintana adota a forma em seu livro Sapato Florido com o Haicai da cozinheira. O autor Millôr Fernandes recria o haicai acrescentando o tom humorístico ao formato.

Na poesia dita pós-moderna, o haicai está adotado como uma forma definitiva no Brasil, a ponto do gênero parecer propício a esse período em que a rapidez da informação e a comunicação visual salientam-se. O texto conciso com uma certa graça estética são critérios importantes para leitores. Paulo Leminski e Alice Ruiz são nomes fundamentais nesse período. Leminski não foi apenas um praticante do haicai mais um especialista, tradutor e difusor do gênero no Brasil, além de colaborar com a adaptação do haicai a novos tempos, em que a brevidade agora convivia com a surpresa e novidade do sentido, a sonoridade, a rima, características que não estavam no conceito clássico do gênero.

Nesse sentido, a prática do haicai nas últimas décadas contribuiu para a transformação e desdobramento do gênero em outras dicções, possibilidades e resultados poéticos. De certa forma, todo texto com três versos ou pouco mais, naturalmente já se autoriza, mesmo que equivocadamente, como sendo haicai, sintoma de que o gênero há tempo já está incorporado à poesia brasileira, sendo matéria obrigatória de criação.

Os poemas desse livro reconhecem a percurso do haicai no Brasil via modernismo, integrados aos recursos que transformaram o haicai clássico num poema que fortalece a tradição do gênero.


*Texto que integra o livro Vento & Avenca, a ser lançado brevemente. 

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2012

DUORETRATO


Entre 1987 e 2012 - Revista VOGUE e produção caseira.

Domingo, Fevereiro 05, 2012

LADODENTRO ENTREVISTA - MANOEL DE BARROS

Harmonia é uma arquitetura
do silêncio


Manoel de Barros nasceu em Cuiabá (MT) no Beco da Marinha, beira do Rio Cuiabá, em 19 de dezembro de 1916, filho de João Venceslau Barros, capataz com influência naquela região. Mudou-se para Corumbá (MS), onde se fixou de tal forma que chegou a ser considerado corumbaense. Atualmente mora em Campo Grande (MS). É advogado, fazendeiro e poeta.

LADODENTRO traz uma entrevista inédita com o poeta que atualmente mais vende livros de poesia no Brasil, numa combinação nem sempre comum entre qualidade e quantidade editorial. Em respostas breves e iluminadas, algumas que inclusive até parecem pintadas com a mesma cor de seus versos, Manoel de Barros comenta sua escrita e abordagens poéticas.

Comparado e elogiado por Guimarães Rosa, o poeta de Cuiabá revolucionou a literatura brasileira, carregando a poesia moderna de subversão e novidades semânticas.

Entre suas conquistas de linguagem, o poeta foi agraciado com o “Prêmio Orlando Dantas” em 1960, conferido pela Academia Brasileira de Letras ao livro Compêndio para uso dos pássaros. Em 1969 recebeu o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal pela obra Gramática expositiva do chão e, em 1997, o Livro sobre nada recebeu o Prêmio Nestlé, de âmbito nacional. Em 1998, recebeu o Prêmio Cecília Meireles (literatura/poesia), concedido pelo Ministério da Cultura.

Foi Millôr Fernandes quem chamou a atenção para o poeta que hoje é reconhecido nacional e internacionalmente como um dos mais originais do século e mais importantes do Brasil. O belíssimo filme Só dez por cento é mentira, de Pedro Cezar , lançado abril de 2008, traz um documentário sobre a vida do poeta e sua escrita inovadora. O título do filme refere-se a uma frase de Manoel de Barros: "Noventa por cento do que escrevo é invenção. Só dez por cento é mentira".
Confira o link do filme: http://www.sodez.com.br/

Manoel de Barros voa fora da asa, e seus leitores agradecem a didática da sua invenção.




Sua poesia parte da utilização de um novo léxico, a ponto de ser considerada uma poesia de invenção. Essa escolha estética partiu de quais motivações?
Acho que é de fato uma invenção a minha poesia. Invento para me conhecer.

O Pantanal passou a ser seu tema, a ponto de você materializar em linguagem aspectos dessa região. Nesse sentido, você pretendeu ser um porta voz do Pantanal ou da natureza?
Sou pantaneiro de chapa e cruz – como se diz lá em Cuiabá. Mas a minha palavra não tem cara de ecologia. Acho que minha linguagem procura mais a estética. Poeta é um ser de linguagem e não de paisagem. Meu caso é natureza.

Seu livro Matéria de Poesia, e o poema Didática da Invenção, são dois exemplos cruciais da sua visão metalinguistica da poesia. Você sente ainda hoje a necessidade de "apresentar" as bases da sua poesia?
Não sinto essa necessidade; mas gosto quando alguém me acha metalingüístico.

A desimportância da poesia pode ser considerada sua grande utilidade?
Dou muita importância às coisas desimportantes: às rimas, às formigas que tem a sabedoria da terra. Gosto do nada com profundidade.

Quando você é comparado a Guimarães Rosa (neologismos), você concorda que a aproximação entre a prosa e a poesia, em termos de linguagem, podem se misturar?
Tenho um certo orgulho de ser comparado ao Rosa. Mas acho que ele tem um poder lexical de invenção, que me impressiona. Eu fico olhando pro meu pé.

O que você acha da idéia da poesia circular fora dos livros, em cartazes, videotexto, etc...
Acho uma idéia! No tempo que eu era guri no Rio, eu lia nos bondes: “Rim doente? Toma urudonal e viva contente.” Citei esse fato porque acho que a poesia pode ser mais entendida e gostada nos bondes. Acho!

Na sua visão, o que mais cativa o leitor em sua escrita?
Talvez uma inversão de palavras para uma visão nova. Pode ser?

Algumas influências artísticas em sua poesia que atuam fora da literatura?
Influência que senti em minha linguagem foi conhecer Rimbaud, que sugeria o imenso desregramento de todos os sentidos: “Eu escutei a cor de um pássaro.” Total mistura dos sentidos.

A instabilidade semântica que carrega a sua poesia de certo modo é uma atitude modernista perante a palavra escrita?
Acho que o cinema. Gosto de fazer desenhos verbais de imagens.

A leitura da poesia em voz alta é algo que lhe agrada?
Não. Sempre a voz alta omite a harmonia. Harmonia é uma arquitetura do silêncio.

Por que devemos considerar as possibilidades que a poesia permite?
A natureza pode ser renovada. Assim: “Eu vi um sapo com olhar de árvore”. Isso não renova?

Domingo, Janeiro 22, 2012

NASCER EM MILONGAS URBANAS


Ouça algumas canções do cd Milongas Urbanas, do músico Jéferson Dantas, de Florianópolis. O trabalho está em fase de finalização. Jéferson musicou um poema de Diego Petrarca do livro Via Cinemascope, de 2004, que integra o projeto do disco. O poema, publicado originalmene em 2004, ganhou um formato visual na página, respeitando a proposta do livro de sugerir outros modelos gráficos para o texto. Não havia título, na composição de Jéferson Dantas ele foi batizado de Nascer.

Confira essa letra de Diego Petrarca e outras canções do Cd Milongas Urbanas:

Sexta-feira, Janeiro 06, 2012

DATILOSCRITO DE RENATO RUSSO


A peça datiloscrita acima é um material raro do poeta da canção Renato Russo, disponível no site oficial do compositor entre outras peças raras do processo de produção e criação do líder da Legião Urbana, confira o link http://is.gd/aa6TSx. Certamente esse conteúdo é do período do Trovador Solitário, entre fins dos anos 70 e começo dos 80. Percebe-se logo na primeira estrofe do poema a frase clássica da canção Tempo Perdido, do disco Dois, de 1986, cuja primeira versão e esboço é de 1977. Na última estrofe, dois versos presentes na canção Uma Outra Estação, do disco homônimo e póstumo, de 1997, gravado nas sessões do disco A tempestade, de 1996. A peça datilografada é um poema em sua unidade, não virou canção, talvez você parte de uma composição para ser musicada, mas ficou como está. Uma peça rara poética de Renato Russo.

Interessante perceber que o original revela o processo composicional de Renato, algo fragmentado, peças e versos presentes em canções da Legião com períodos bem distintos, mas formando um texto independente. Pode-se também registrar que o processo criativo de Renato Russo eram anotações, pedaços editados, que formariam textos, poemas e até canções. A frase e o verso tratados como matérias pertinentes para mais de uma composição, em versões diferentes. Por exemplo, o verso "Ninguém vai me dizer o que sentir" está presente em duas canções diferentes: Soul Parsifal (1996) e Hoje (1993) gravada por Leila Pinheiro e resgatada com a voz de Renato Russo no disco Presente (2003), com material raro.

A descoberta desses textos que refletem partes das canções, mas ainda sim um poema novo, com força na página, sem o auxílio melódico, resgata a poesia de Renato Russo sempre viva, e para além da canção.

Sábado, Dezembro 24, 2011

ANIMAIS POEMAS






O livro Animais, de Arnaldo Antunes e Zaba Moreau, foi sendo concebido durante as gestações dos 4 filhos dos autores, que foram casados 15 anos. Em 1988 começou a produção desse trabalho e agora está sendo lançado pela Editora 34 numa série infanto juvenil. Mas também comovem adultos interessados nas surpresas da linguagem, afinal foi o poeta modernista Oswald de Andrade quem sentenciou: Aprendi com meu filho de 8 anos que a  poesia é a descoberta das oisas que eu nunca vi.

O livro reúne texto e imagem, todas xilogravuras do grupo  Xiloceasa. O trabalho foi lançado em outubro. Cada poema apresenta uma palavra montagem que a ilustração repersenta também num processo de desenho-montagem. Neologismos que sugerem o nome de algum animal e a suspresa do vocábulo: Giralta (remete ao animal girafa assim como uma de suas caracterísiticas, a altura). Ovelã, o animal e sua característica. Ou então Serponte, a serpente que, pelo seu cumprimento, remete a  uma ponte. Livrélula, por exemplo, monta a palavra livro com libélula sem a ver uma relação direta entre os elementos, mas parte da sugestão da palavra.

Um híbrido de texto e imagem que inventam animais trasmutados em poemas, a ilustração representa a figura dessa montagem. Mais um trabalho poético de Arnaldo Antunes, em que a surpresa sintática/semântica convivem sempre criativamente.

Quinta-feira, Dezembro 22, 2011

A CURVA DA CINTURA


Arnaldo Antunes e Edgar Scandurra estão lançando disco juntos. Trata-se de Curva da Cintura, lançado no início de dezembro. Desde 2009 o guitarrista Edgar Scandura estava acompanhando Arnaldo Antunes em sua turnê do disco Iê Iê Iê. A partir daquele ano iniciram um repertório em parceria. O resultado é esse trabalho com canções inéditas compostas pelos dois, letras de Arnaldo e músicas de Scandurra.

A ideia de fazer o disco foi durante uma série de shows minimalistas que os dois foram apresentando entre 2009 e 2010. A parceria já existe de longa data e agora foi concretizada em disco e repertório especialmente para A Curva da Cintura.

Para o disco, os compositores contaram com o trabalho e experiência musical do africano Toumani Diabaté, que costura o disco com seu instrumento típico da região de Mali, a Kora, uma harpa de 12 cordas que é símbolo cultural daquela terra. Após um show no Rio de Janeiro que os três artistas dividiram, nasceu a ideia de fazer um trabalho coletivo.

As gravações foram realizadas entre São Paulo e Bamako, capital de Mali, onde mora o músico africano. O resultado foi um cd e Dvd lançados juntos. O cd traz 11 parcerias novíssimas de Arnaldo Antunes e Scandurra. Letras inspiradas de Arnaldo, que carrega na poesia, entre canções líricas, metamusicais, entre outras, e as guitarras de Edgar Scandurra, tudo pontuado pela Kora de Toumani. Há também uma parceria de Arnaldo com o músico de Mali, além de faixas instrumentais compostas pelo africano. Também peças solo do ex guitarrista do Ira! e uma parceria de Arnaldo com Paulo Miklos e Liminha, Grãos de Chão.

O conceito do trabalho composicional de Arnaldo e Scandurra vem somado a uma integração África/Brasil pela presença do instrumentista e pelo clima que a Kora acentua ao disco. O dvd, que acompanha o disco, exibe um belo documentário onde a produção/gravação do cd aparecem junto com a convivência e integração dos artistas brasileiros em terras africanas: a interação com o povo e diálogo artísitco com Toumani e outros artistas da região. Outro trabalho sensacional para fechar o ano de 2011. A Curva da Cintura.

http://www.acurvadacintura.com.br/


Que me continua (Arnaldo/Scandurra)

Se ando cheio, me dilua.
Se estou no meio, conclua.
Se perco o freio, me obstrua.
Se me arruinei, reconstrua.

Se sou um fruto, me roa.
Se viro um muro, me rua.
Se te machuco, me doa.
Se sou futuro, evolua.

Você que me continua.

Se eu não crescer, me destrua.
Se eu obcecar, me distraia.
Se me ganhar, distribua.
Se me perder, subtraia.

Se estou no céu, me abençoe.
Se eu sou seu, me possua.
Se dou um duro, me sue.
Se sou tão puro, polua.

Você que me continua.

Se sou voraz, me sacie.
Se for demais, atenue.
Se fico atrás, assobie.
Se estou em paz, tumultue.

Se eu agonio, me alivie.
Se me entedio, me dê rua.
Se te bloqueio, desvie.
Se dou recheio, usufrua.

Quinta-feira, Dezembro 15, 2011

RECANTO - GAL & CAETANO


No dia 06 de dezembro de 2011 foi lançado o disco Recanto, de Gal Costa, após 5 anos sem a cantora produzir nenhum novo material. O trabalho, traz 9 canções novas de Caetano Veloso, que também assina a produção do disco. Além das canções inéditas, outras duas compõe o cd: a belíssima Mansidão, composta originalmente para Jane Duboc em 1982, uma melodia doce com letra leve e positiva. A outra, Madre Deus, foi lançada em 2005 para o balé do grupo Corpo, no disco Oqontô, de Caetano e Wisnik.


Gal Costa junto com Maria Bethânia são as cantoras que mais gravaram Caetano, o repertório de canções que cada uma registrou do cantor preencheria mais que um disco duplo, por isso é natural que Gal Costa faça esse trabalho praticamente em parceria com seu companheiro de trajetória. Além das inúmeras canções gravadas por Gal com assinatura de Caetano, os dois trabalharam juntos na Tropicália, no exílio era Gal que trazia as novas de Veloso para o Brasil, entre 70 e 71. Depois Caetano prodziu o disco Cantar, em 1974, além da turnê e disco Doces Bárbaros, em 1976. Muitas dessas canções caetano compôs especialmente para a voz de Gal, sem nunca ter gravado grande parte delas.

A novidade do novo trabalho, Recanto, são as 9 canções inéditas saídas do forno compostas especialmente para o conceito do disco, trata-se de um trabalho composicional de Caetano que Gal Costa interpreta e incorpora. Em 2012, durante a turnê do disco, Caetano assinará também a direção do show. Esse trabalho coletivo é uma das forças do disco, forma ideal de trazer uma das maiores cantoras do Brasil a tona novamente. A outra novidade é a pegada eletrônica sendo o elemento musical mais importante do disco, que permeia seu conceito. A equipe que Caetano escalou para compor programações eletrônicas adaptadas a voz de Gal, colaborou com a roupagem moderna para as faixas. Os responsáveis pelo conteúdo eletrônico, Kassin e Moreno Veloso, entre outros, foram fundamentais para esse tom eletro incorporado a voz de Gal. Foi uma forma também de renovar os contornos musicais da cantora.

As letras, concisas e abstratas, estão centralizadas no encarte do disco. O texto de Caetano para ter tentado um novo estilo, em que a as frases diretas e enxutas carregam na metáfora, parece um esboço de uma nova textura poética sublinhadas pela voz de Gal, merecem destaque.

Recanto Escuro e Tudo dói são radiografias biográficas escritas para Gal declamar. As duas pontas que costuram o disco. Sexo e dinheiro e Cara do mundo apresentam o discurso poético renovado de Caetano. Autotune autoerotico e Miami Maculele são as faixas mais condicionadas ao elemento eletrônico, as letras preenchem o que a pegada eletrônica sugere. Essa última apresenta a voz de Caetano como pano de fundo cantando em voz modificada num tom de funk carioca, uma surpresa. O menino foi feita para Gal e seu filho adotivo e Segunda, que fecha o disco, relata a forma baiana de encarar a segunda feira. A canção Neguinho, lançada primeiro que as outras, é um retrato contemporâneo da ascenção social centrada no personagem Neguinho, que mora na favela carioca.

A contracapa traz uma foto emblemática da dupla em Londres, em 1970, durante o festival da ilha de Wight. Um belo presente de fim de ano para fãs tropicalistas.



CARA DO MUNDO

Cara do mundo, cara de peixe-boi
Cara de tudo, cara do que já foi
Pássaro azul, deserto-jardim, presunto
Músculo nu num filme ruim, soluço
Cara de cobra, cara de beija-flor
Cara de cara, cara do meu amor

Cara do mundo, vim te reconhecer
Cara de muito, dor de tanto prazer
Abro meus olhos, abro meus braços, longe
Fecho meu punho, fecho meu coração
Cara de tempo, cara de escuridão
Asa do vento, olho de sol, clarão

Cara do mundo, máscara de carvão
Máscara clara, rosto de multidão
Gozo em te ver tão cara a cara assim
Posso meter máscara clara em mim
Cara do mundo, hálito de maçã
Cor de abacate, amargor de alumã







Domingo, Dezembro 11, 2011

LADODENTRO ENTREVISTA - CLAÚDIO WILLER


O poeta e tradutor Cláudio Willer respondeu algumas perguntas sobre  poesia e criação. O responsável pela tradução e inserção da obra de Allen Ginsberg no Brasil e o intelectual mais especializado em literatura beat no país, fala a respeito da movimentação poética da cena paulistana das décadas de 60 e 70, recentemente lançadas no livro Dentes da Memória, das jornalistas Camila Hungria e Renata D´Elia, que traçam um belo painel da produção poética naquele período, em que Willer era um dos expoentes. O autor também comenta a nítida influência do movimento beat em sua poesia e as questões da produção contemporânea do gênero hoje em dia. Confira.  

Como você observa essa recuperação da movimentação poética dos anos 60/70 na cidade de São Paulo, em que era um dos expoentes? normalmente o foco desse período de poesia no Brasil é o RJ, mas existe muita história e uma característica muito clara dos conceitos da turma liderada por você e Piva, por exemplo, o nítido comportamento/influência Beat.

Sim. Mas veja que a movimentação no Rio, por volta de 1960, não era tão grande assim, havia mais atividades ligadas à poesia em São Paulo. E Rio era algo tradicionalista, se comparado a São Paulo. Rio vai ferver na década seguinte, com os marginais.

A resistência acadêmica a produção poética da turma de São Paulo existiu, você atribui essa resistência a um certo desregramento que vocês de certo modo cultivavam para salientar essa postura contracultural vigente naquele período? ou seja, o desregramento como um item fundamental no conceito daquela poesia contrbuiu para a academia não considerar aquela movimentação?

Sim – ou será que não havia malucos aceitáveis para o ‘establishment’? Acho que o modo de expressar-se, de escrever, estranho aos cânones, provocou estranheza. Até hoje, tem gente literariamente culta que me acha ininteligível. Eu me acho tão evidente, tão transparente...

Por que a identificação direta com Allen Ginsberg, na opção de especializar-se na tradução da sua obra no Brasil e também como principal referência para a identidade da poesia que veio a desenvolver naquele período em São Paulo?

Principalmente, por ser a Geração Beat um movimento importantíssimo, inovador e substancioso. Se não fosse, não ia conseguir continuar escrevendo a respeito, achando mais assunto para produzir ensaios. E Ginsberg foi um poeta enorme – na escala do valor literário, inseparável, no caso dele, da rebelião. Assimilamos a beat em primeira mão, já em 1960/61. O intertexto de Paranóia de Piva com Ginsberg, Corso e outros beats é evidente.

Como você responde aos questionamentos previsíveis de que a poesia beat vacila na espontaneidade exagerada, na confusão vida e obra e do desapego a uma forma mais rigorosa na escrita do gênero?

Acho que esses questionamentos nada tem a ver com valor literário. Reclamar de confusão de vida e obra é absolutamente reacionário. Querer forma mais rigorosa é cosia de formalistas. Interessa se a obra é substanciosa, e isso nada tem a ver com a confusão de biografia e expressão, ou o modo de criar, mais espontâneo ou mais pensado. Além disso, Ginsberg copidescou bastante Uivo e Kaddish. E algumas das obras de Kerouac, ele levou anos para escrevê-las.

A Feira de Poesia no Municipal, as edições artesanais de Massao Ohno, a Antologia dos Novíssimos, foram as principais atividades de divulgação da poesia paulista anos 60/70? ou destacaria algumas outras? e nesse sentido não houve uma organização com o objetivo de organizar algum movimento mais definido que destacasse as propostas estéticas do grupo? por esse aspecto você incorpora a legenda poesia marginal para caracterizar o trabalho dessa turma naquele período?

Foram as principais? Ou precisamos de uma perspectiva histórica mais extensa? Talvez, retomar o assunto daqui a 50 anos? As edições de Massao não eram artesanais. Fazia livros de qualidade, impressos em gráficas, igual a qualquer outra editora. A distribuição é que era limitada, por motivos óbvios.

Em momento algum houve algum diálogo com os poetas concretos? afinal, por mais diferentes que fossem as propostas poéticas, havia um elo em comum: algum tipo de subversão e renovação da poesia brasileira.

Poesia concreta, em seu momento de afirmação, representava tudo o que não suportávamos: era cerebral, burocrática. E havia os erros evidentes, a idéia de que revolução tecnológica ia modificar o signo, etc. Pessoalmente, minha relação com Haroldo era cordial, e outro diz compus uma mesa junto com Augusto. Claro que converso com concretos.

Os livros Paranóia, de Piva e Anotações para um Apocalipse, seu livro de estréia também, foram escritos levando em conta quais critérios básicos, tanto no plano formal, estético, de linguagem? exisitia alguma meta específica para além do lançamento de uma poesia afiada com a linguagem beat?

Acho que escrevemos aquilo que tínhamos vontade de escrever. E a beat era uma das referências, líamos muito mais. Para mim, no plano da criação, surrealismo foi mais importante.

Durante as entrevistas para o livro Dentes da Memória, você resgatou sua trajetória como poeta e pensador da poesia brasileira assim como reavaliou um período importante para a história recente do gênero no país. Quais daqueles impulsos (lembrando o nutrir-se de Pound) ainda estão firmes hoje em dia em sua atividade?

Ambos ... Publiquei dois livros de ensaio, ‘Geração beat’ em 2009 e ‘Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e a poesia moderna’, em 2010, e estou esperando que saia meu próximo livro de poesia, ‘A verdadeira história do século XX’, pela ed. Demônio Negro.

O poeta de hoje não está longe da condição daquelas décadas: restrição editorial, editoras por demanda como opção, resistência da mídia numa veiculação da poesia e um hibridismo de formas. Nesse sentido, o movimento beat é um prato cheio para as referências que levam em conta esse contexto? ou seja, a postura beat é plenamente adequada a prática da poesia recente no Brasil?

Quando me perguntam sobre poesia e mercado, sempre observo que do tempo de Baudelaire para cá continua tudo do mesmo jeito. Nenhuma de suas críticas perdeu validade ou atualidade. Postura beat originou a contracultura, que por sua vez contribuiu para uma maior abertura nas sociedades modernas. Ou seja, constitui, em certa medida, o mundo em que vivemos – ou alguns de seus aspectos e dimensões mais interessantes.

Quinta-feira, Dezembro 08, 2011

POSTAIS NAS ESCADARIAS


A mostra Poesia que pergunta - dinâmica da síntese, com trabalhos do Bando Hoburaco durante a oficina ministrada por Diego Petrarca, inaugurou ontem no CCCEV. Expostos entre o segundo e quarto andar, os poemas perguntas alteram o ambiente das escadarias, tornando o ato de subir/descer escadas também uma experiência poética. Entre outras informações que seguiram sobre a mostra, o Jornal do Comércio dá o serviço, confiram.


Segunda-feira, Dezembro 05, 2011

CLIPOEMA

video

Gravado em 2009, vários poetas gravaram vídeos com poemas seus ou de autores que admiram para o projeto Cidade Poema. Parte desse material foi editada em minimetragens com cerca de 30 segundos, já exibidos em salas do Cinesystem do Shopping Total de Porto Alegre, acompanhando as sessões diariamente, durante um mês. Aqui, Diego Petrarca.

Os curtíssimas-metragens também foram vistos no Cine Bancários, em sessões especiais na Feira do Livro de Porto Alegre e acompanhando exposição de fotos e ilustrações na Câmara de Vereadores de Porto Alegre.

Direção: Laís Chaffe

Música: Beto Chedid
Direção de fotografia: Rodinério da Rosa
Edição: Tiago Demaman
Direção de produção: Kika Lisboa.

Terça-feira, Novembro 29, 2011

MOSTRA POESIA QUE PERGUNTA



O Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) inaugura dia 6 de dezembro, às 19h, a mostra de trabalhos elaborados na Oficina Literária Dinâmica da Síntese – Poesia que Pergunta, com Diego Petrarca, um dos diversos eventos que integrou a programação do Porto Poesia 5, em outubro deste ano. As atividades foram realizadas e promovidas pelo CCCEV e pela Porto Poesia Produtora.

O material, produzido pelo Bando HoburacoPaulo Ohar, Mariah de Olivieri, Delma Gonçalves, Bernadette Saidelles, João Alberto Luiz e Dênia Palmira, contando ainda com a participação de Domingos Sávio, será exposto nas escadarias do 2º e 4º andares da instituição.

O público poderá visitar até o dia 17 de dezembro, de terça à sexta-feira, das 10 às 19h e no sábado, das 11 às 18h, na Rua dos Andradas, 1223, Centro Histórico de Porto Alegre. A entrada é franca. Informações pelos telefones (51) 3228.9710 – 3226.5342 – 3226.7974.





Segunda-feira, Novembro 28, 2011

LADODENTRO ENTREVISTA - ARNALDO ANTUNES



"A poesia se libertou dos livros para ocupar vários suportes diferentes, isso é muito rico e também muito sedutor para os poetas enfrentarem, a maneira da poesia estar incorporada a vida das pessoas, seja no elevador, no muro, na tela do computador, na tela de cinema, enfim, na camiseta estampada... eu acho que isso traz a poesia para a vida de um jeito muito legal e cada suporte desse acaba exigindo um diálogo do poeta com um meio diferenciado e isso dá um resultado muito bacana".



O poeta e compositor Arnaldo Antunes respondeu algums perguntas em sua passagem por Porto Alegre, quando apresentou seu show Iê Iê Iê, pela segunda vez na cidade. Pouco antes de começar a sua palestra sobre poesia e criação no teatro Túlio Piva, em julho de 2011, gravei as respostas que Arnaldo concedeu, cujo foco foi basicamente o que ele comentou em 1 hora de bate papo em sua palestra: poesia, criação e afins.


A opção pela música foi uma forma de desenvolver a poesia?

Não necessariamente existe uma hierarquia na minha cabeça entre música e poesia. Na mesma época em que eu manifestei o meu desejo de compor e ter aula de violão, na adolescência, foi no mesmo período em que eu me interessei por poesia. As duas coisas juntas, poesia e canção, me influenciaram ao mesmo tempo. Na verdade eu me considero um artista da palavra que exercita ela em outras linguagens. Eu não faço música instrumental, faço canções. Não faço artes visuais apenas, faço poemas visuais, mas sempre envolve o trato com a palavra e a sua especificidade em cada código. Na minha cabeça essas duas coisas caminham paralelamente, sem haver prioridade entre uma em relação a outra.

Entre seu primeiro livro, OU E, que era uma caixa com poemas caligráficos e o Psia, seu primeiro trabalho de poemas para livro, existe algum relação entre essas duas primeiras obras?

O primeiro era um livro todo artesanal, todo ele feito em caligrafia, cada trabalho era um tipo de dobra diferente, um tipo de papel diferente, um livro todo feito a mão mesmo. Fiz 500 exemplares, edição de autor, nunca reeditei, porque também é difícil reeditar. Só na antologia que saiu pela Publifolha, Como é que chama o nome disso (2006), que saíram alguns trabalhos desse livro. A diferença é que o primeiro é um livro muito específico, um livro-caixa, para ver os poemas numa ordem que você mesmo determina, e o Psia não, já é um livro num formato mais convencional. Mas mesmo no Psia tem muitos trabalhos visuais, a linguagem gráfica associada ao verbal sempre fez parte da minha produção, é uma preocupação constante, claro que isso aparece mais em alguns poemas do que em outros, tem uns mais verbais, tem outros em que o aspecto visual é mais evidente. E a caligrafia é algo que eu continuei fazendo, é uma paixão, é uma ideia de entonação da escrita, assim como existe uma entonação da palavra nas canções, tem uma entonação visual na caligrafia, a maneira de grafar manualmente as palavras acaba dando novos sentidos a ela. Isso eu desenvolvi em outros trabalhos, fiz uma exposição já nos anos 2000, só de caligrafia, sempre em meus livros tem algum trabalho caligráfico, é mesmo uma paixão.

Letra de música e poesia são processos de criação diferentes? Eu lembro que a canção O que ganhou uma versão impressa e saiu no seu livro de 1986, Psia, com aquele formato visual circular. Você pensa o poema para página do mesmo modo que você pensa para a canção, ou as duas coisas se confluem?

Essa é uma pergunta bem ampla, envolve várias coisas. Eu faço conferências que são quase todas sobre isso. Eu acho que são linguagens diferentes sim. A letra a canção está numa situação de linguagem diferente da letra impressa no papel, mas a poesia hoje em dia tem muitos suportes e cada suporte exige um tratamento diferente do uso da palavra, ao mesmo tempo existe uma intersecção, essa matéria em comum, a palavra em si que ocorre na canção e nos poemas, tem diferenças, mas existe essa intersecção.

O que é para você uma poesia de invenção?

Uma poesia curiosa, de querer experimentar novas soluções para além do que já se conhece.

Oswald de Andrade Paulo Leminski e são duas referências suas, que impacto esses autores tiveram em sua formação? quais as novidades poéticas desses autores que você incorporou?

Oswald de Andrade eu conheci ainda no colégio, na adolescência e me encantei com a poesia dele, muito sintética, ao mesmo tempo muito coloquial, muito solta, a sintaxe próxima da fala, aliás eu acho que Oswald era muito próximo da música popular que vinha se fazendo nos anos 20, Noel Rosa, Lamartine Babo, embora ele não tenha tido convívio com esses compositores. O cineasta Júlio Bressane forjou esse encontro em seu filme Tabu, de 1982. O Leminski, desde a primeira vez que li as coisas dele eu me encantei, me apaixonei pelo Catatau, foi o primeiro livro dele que eu li. Conheci ele pessoalmente, quando ele ia para São Paulo ficava hospedado lá em casa, grande amigo e poeta admirável, ele conseguia juntar a erudição com a contracultura, do punk, do underground, ele era um poeta muito culto, pegava s referências da poesia mais antiga, Li Tai-Po, Homero, as leituras clássicas, e ao mesmo tempo pegava o que havia de potente nisso e trazia para o universo contracultural em que ele atuava.

Você utiliza muito em sua poesia a linguagem infantil gerando um efeito poético, o livro As Coisas, é todo feito a partir do olhar infantil, depois o livro que você organizou Frases do Tomé, qual outro tipo de linguagem da fala que desconcerta a linguagem e que possa ser útil a poesia?

O Antônio Risério tem aquele livro Oriki Orixá, onde ele fala das culturas tribais e da necessidade de incorporar a nossa historiografia literária esss textos quw são textos quw não considerados e são registros de criações orais e não são escritos, como se fosse a infância da poesia nas culturas primitivas, tem uma coisa muito interessante e surpreendente nisso. Tem um poeta americano que trabalha muito com isso, a chamada etnopoesia, o Jerome Rothenberg. É uma poesia a ser descoberta, essa dos cânticos das tribos indígenas, do candomblé, culturais orais que desenvolvem uma linguagem que na verdade não pretendem ser poesia, pois são culturas orais onde não se diferencia poesia e culto, brincadeira e vida.

Domingo, Novembro 20, 2011

DENTES DA MEMÓRIA


Concebido para um trabalho de conclusão de curso e lançado pela editora Azougue Editorial agora em 2011, Dentes da Memória desenvolve a representação da poesia beat no Brasil, concentrada na cidade de São Paulo nos anos 60. 

Tendo os poetas  Roberto Piva, Claudio Willer, Antonio Fernando de Franceschi e Roberto Bicelli como grupo núcleo, o livro apresenta documentos dessa geração que esteve afinada com a proposta poética e comportamental da poesia beat, em que a vida e a poesia estavam interligadas como duas instâncias inseparáveis. O retrato dessa experiência e período da poesia brasileira merecia esse resgate, porque normalmente a geração de 45 e poesia concreta são as mais constantes referências desse período, seguido da poesia marginal dos anos 70, talvez a mais familiarizada com a identidade beat. 

Esse quarteto de autores paulistas fez história e produziram um conteúdo com clara personalidade literária. Dentes da Memória é um livro fundamental e completo nesse sentido, fruto  de 4 anos de pesquisa e entrevistas conduzidas pelas jornalistas Renata D'Elia e Camila Hungria.

Quinta-feira, Novembro 17, 2011

LIÇÃO DO DIA


Lição do dia, baseado em uma fotoarte, saiu em ZH nessa quinta, 17 de novembro. "Crimes suaves que ajudam a viver", já dizia o essencial e absoluto Drummond.

Terça-feira, Novembro 15, 2011

TRECHO PUTZPOESIA





Ouça um trecho do programa PutzPoesia, toda sexta as 19:00 na http://radioputzgrila.com.br/site/, com Fernando Ramos e Diego Petrarca.
Confira também o blog do programa http://putzpoesia.blogspot.com/

trecho: http://minicasts.podomatic.com/play/1430063/2633021

A VIDA NÃO BASTA - LEITURA SOBRE FERREIRA GULLAR NA FEIRA DO LIVRO



A Vida Não Basta: leitura sobre poemas de Ferreira Gullar domingo dia 13/11 na Feira do Livro. Público numeroso e um panorama da obra do poeta. Canções, informações sobre o autor, além de trechos de uma entrevista e depoimentos exclusivos concedidos pelo poeta, como este que segue abaixo. Com Andréia Laimer, Diego Petrarca, Guto Leite e Lorenzo Ribas.



"É com muita alegria que me dirijo a ...vocês, visitantes da Feira do Livro de Porto Alegre. Este é um evento tradiconal que tem contribuido amplamente para a difusão do livro e o estímulo à leitura. Se digo isso é porque o livro - a literatura enfim - tem para mim grande importância, pois é ela um dos fatores constitutivos de nossa vida, de nossa condição de ser humano, já que o que somos são os valores que inventamos e dão sentido à existência. Além disso, a literatura, como a arte em geral, tornam a vida mais rica, mais bela. Daí porque costumo dizer que a arte existe porque a vida não basta." 

F. Gullar.

Sábado, Novembro 12, 2011

YÛGEN - TOMIE OTHAKE E HAROLDO DE CAMPOS

















Yûgen, significa, profundidade e mistério. Foi um trabalho verbovisual composto pela pintora japonesa radicada em São Paulo Tomie Othake e o poeta Haroldo de Campos. Reunidas num álbum, essas pinturas poemas foram lançadas em 1998 e incorpora a pintura da letra ao traço, a frase manuscrita é também o traço da pintura. Um belo resultado intersemiótico entre verbo e imagem, gerando nessa fusão um signo artístico  para ler e ver.