sábado, dezembro 24, 2011

ANIMAIS POEMAS









O livro Animais, de Arnaldo Antunes e Zaba Moreau, foi sendo concebido durante as gestações dos 4 filhos dos autores, que foram casados 15 anos. Em 1988 começou a produção desse trabalho e agora está sendo lançado pela Editora 34 numa série infanto juvenil. Mas também comovem adultos interessados nas surpresas da linguagem, afinal foi o poeta modernista Oswald de Andrade quem sentenciou: Aprendi com meu filho de 8 anos que a  poesia é a descoberta das oisas que eu nunca vi.

O livro reúne texto e imagem, todas xilogravuras do grupo  Xiloceasa. O trabalho foi lançado em outubro. Cada poema apresenta uma palavra montagem que a ilustração repersenta também num processo de desenho-montagem. Neologismos que sugerem o nome de algum animal e a suspresa do vocábulo: Giralta (remete ao animal girafa assim como uma de suas caracterísiticas, a altura). Ovelã, o animal e sua característica. Ou então Serponte, a serpente que, pelo seu cumprimento, remete a  uma ponte. Livrélula, por exemplo, monta a palavra livro com libélula sem a ver uma relação direta entre os elementos, mas parte da sugestão da palavra.

Um híbrido de texto e imagem que inventam animais trasmutados em poemas, a ilustração representa a figura dessa montagem. Mais um trabalho poético de Arnaldo Antunes, em que a surpresa sintática/semântica convivem sempre criativamente.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

A CURVA DA CINTURA




Arnaldo Antunes e Edgar Scandurra estão lançando disco juntos. Trata-se de Curva da Cintura, lançado no início de dezembro. Desde 2009 o guitarrista Edgar Scandura estava acompanhando Arnaldo Antunes em sua turnê do disco Iê Iê Iê. A partir daquele ano iniciram um repertório em parceria. O resultado é esse trabalho com canções inéditas compostas pelos dois, letras de Arnaldo e músicas de Scandurra.

A ideia de fazer o disco foi durante uma série de shows minimalistas que os dois foram apresentando entre 2009 e 2010. A parceria já existe de longa data e agora foi concretizada em disco e repertório especialmente para A Curva da Cintura.

Para o disco, os compositores contaram com o trabalho e experiência musical do africano Toumani Diabaté, que costura o disco com seu instrumento típico da região de Mali, a Kora, uma harpa de 12 cordas que é símbolo cultural daquela terra. Após um show no Rio de Janeiro que os três artistas dividiram, nasceu a ideia de fazer um trabalho coletivo.

As gravações foram realizadas entre São Paulo e Bamako, capital de Mali, onde mora o músico africano. O resultado foi um cd e Dvd lançados juntos. O cd traz 11 parcerias novíssimas de Arnaldo Antunes e Scandurra. Letras inspiradas de Arnaldo, que carrega na poesia, entre canções líricas, metamusicais, entre outras, e as guitarras de Edgar Scandurra, tudo pontuado pela Kora de Toumani. Há também uma parceria de Arnaldo com o músico de Mali, além de faixas instrumentais compostas pelo africano. Também peças solo do ex guitarrista do Ira! e uma parceria de Arnaldo com Paulo Miklos e Liminha, Grãos de Chão.

O conceito do trabalho composicional de Arnaldo e Scandurra vem somado a uma integração África/Brasil pela presença do instrumentista e pelo clima que a Kora acentua ao disco. O dvd, que acompanha o disco, exibe um belo documentário onde a produção/gravação do cd aparecem junto com a convivência e integração dos artistas brasileiros em terras africanas: a interação com o povo e diálogo artísitco com Toumani e outros artistas da região. Outro trabalho sensacional para fechar o ano de 2011. A Curva da Cintura.

http://www.acurvadacintura.com.br/


Que me continua (Arnaldo/Scandurra)

Se ando cheio, me dilua.
Se estou no meio, conclua.
Se perco o freio, me obstrua.
Se me arruinei, reconstrua.

Se sou um fruto, me roa.
Se viro um muro, me rua.
Se te machuco, me doa.
Se sou futuro, evolua.

Você que me continua.

Se eu não crescer, me destrua.
Se eu obcecar, me distraia.
Se me ganhar, distribua.
Se me perder, subtraia.

Se estou no céu, me abençoe.
Se eu sou seu, me possua.
Se dou um duro, me sue.
Se sou tão puro, polua.

Você que me continua.

Se sou voraz, me sacie.
Se for demais, atenue.
Se fico atrás, assobie.
Se estou em paz, tumultue.

Se eu agonio, me alivie.
Se me entedio, me dê rua.
Se te bloqueio, desvie.
Se dou recheio, usufrua.

quinta-feira, dezembro 15, 2011

RECANTO - GAL & CAETANO




No dia 06 de dezembro de 2011 foi lançado o disco Recanto, de Gal Costa, após 5 anos sem a cantora produzir nenhum novo material. O trabalho, traz 9 canções novas de Caetano Veloso, que também assina a produção do disco. Além das canções inéditas, outras duas compõe o cd: a belíssima Mansidão, composta originalmente para Jane Duboc em 1982, uma melodia doce com letra leve e positiva. A outra, Madre Deus, foi lançada em 2005 para o balé do grupo Corpo, no disco Oqontô, de Caetano e Wisnik.


Gal Costa junto com Maria Bethânia são as cantoras que mais gravaram Caetano, o repertório de canções que cada uma registrou do cantor preencheria mais que um disco duplo, por isso é natural que Gal Costa faça esse trabalho praticamente em parceria com seu companheiro de trajetória. Além das inúmeras canções gravadas por Gal com assinatura de Caetano, os dois trabalharam juntos na Tropicália, no exílio era Gal que trazia as novas de Veloso para o Brasil, entre 70 e 71. Depois Caetano prodziu o disco Cantar, em 1974, além da turnê e disco Doces Bárbaros, em 1976. Muitas dessas canções caetano compôs especialmente para a voz de Gal, sem nunca ter gravado grande parte delas.

A novidade do novo trabalho, Recanto, são as 9 canções inéditas saídas do forno compostas especialmente para o conceito do disco, trata-se de um trabalho composicional de Caetano que Gal Costa interpreta e incorpora. Em 2012, durante a turnê do disco, Caetano assinará também a direção do show. Esse trabalho coletivo é uma das forças do disco, forma ideal de trazer uma das maiores cantoras do Brasil a tona novamente. A outra novidade é a pegada eletrônica sendo o elemento musical mais importante do disco, que permeia seu conceito. A equipe que Caetano escalou para compor programações eletrônicas adaptadas a voz de Gal, colaborou com a roupagem moderna para as faixas. Os responsáveis pelo conteúdo eletrônico, Kassin e Moreno Veloso, entre outros, foram fundamentais para esse tom eletro incorporado a voz de Gal. Foi uma forma também de renovar os contornos musicais da cantora.

As letras, concisas e abstratas, estão centralizadas no encarte do disco. O texto de Caetano para ter tentado um novo estilo, em que a as frases diretas e enxutas carregam na metáfora, parece um esboço de uma nova textura poética sublinhadas pela voz de Gal, merecem destaque.

Recanto Escuro e Tudo dói são radiografias biográficas escritas para Gal declamar. As duas pontas que costuram o disco. Sexo e dinheiro e Cara do mundo apresentam o discurso poético renovado de Caetano. Autotune autoerotico e Miami Maculele são as faixas mais condicionadas ao elemento eletrônico, as letras preenchem o que a pegada eletrônica sugere. Essa última apresenta a voz de Caetano como pano de fundo cantando em voz modificada num tom de funk carioca, uma surpresa. O menino foi feita para Gal e seu filho adotivo e Segunda, que fecha o disco, relata a forma baiana de encarar a segunda feira. A canção Neguinho, lançada primeiro que as outras, é um retrato contemporâneo da ascenção social centrada no personagem Neguinho, que mora na favela carioca.

A contracapa traz uma foto emblemática da dupla em Londres, em 1970, durante o festival da ilha de Wight. Um belo presente de fim de ano para fãs tropicalistas.



CARA DO MUNDO

Cara do mundo, cara de peixe-boi
Cara de tudo, cara do que já foi
Pássaro azul, deserto-jardim, presunto
Músculo nu num filme ruim, soluço
Cara de cobra, cara de beija-flor
Cara de cara, cara do meu amor

Cara do mundo, vim te reconhecer
Cara de muito, dor de tanto prazer
Abro meus olhos, abro meus braços, longe
Fecho meu punho, fecho meu coração
Cara de tempo, cara de escuridão
Asa do vento, olho de sol, clarão

Cara do mundo, máscara de carvão
Máscara clara, rosto de multidão
Gozo em te ver tão cara a cara assim
Posso meter máscara clara em mim
Cara do mundo, hálito de maçã
Cor de abacate, amargor de alumã







domingo, dezembro 11, 2011

LADODENTRO ENTREVISTA - CLAÚDIO WILLER




O poeta e tradutor Cláudio Willer respondeu algumas perguntas sobre  poesia e criação. O responsável pela tradução e inserção da obra de Allen Ginsberg no Brasil e o intelectual mais especializado em literatura beat no país, fala a respeito da movimentação poética da cena paulistana das décadas de 60 e 70, recentemente lançadas no livro Dentes da Memória, das jornalistas Camila Hungria e Renata D´Elia, que traçam um belo painel da produção poética naquele período, em que Willer era um dos expoentes. O autor também comenta a nítida influência do movimento beat em sua poesia e as questões da produção contemporânea do gênero hoje em dia. Confira.

Como você observa essa recuperação da movimentação poética dos anos 60/70 na cidade de São Paulo, em que era um dos expoentes? normalmente o foco desse período de poesia no Brasil é o RJ, mas existe muita história e uma característica muito clara dos conceitos da turma liderada por você e Piva, por exemplo, o nítido comportamento/influência Beat.

Sim. Mas veja que a movimentação no Rio, por volta de 1960, não era tão grande assim, havia mais atividades ligadas à poesia em São Paulo. E Rio era algo tradicionalista, se comparado a São Paulo. Rio vai ferver na década seguinte, com os marginais.

A resistência acadêmica a produção poética da turma de São Paulo existiu, você atribui essa resistência a um certo desregramento que vocês de certo modo cultivavam para salientar essa postura contracultural vigente naquele período? ou seja, o desregramento como um item fundamental no conceito daquela poesia contrbuiu para a academia não considerar aquela movimentação?

Sim – ou será que não havia malucos aceitáveis para o ‘establishment’? Acho que o modo de expressar-se, de escrever, estranho aos cânones, provocou estranheza. Até hoje, tem gente literariamente culta que me acha ininteligível. Eu me acho tão evidente, tão transparente...

Por que a identificação direta com Allen Ginsberg, na opção de especializar-se na tradução da sua obra no Brasil e também como principal referência para a identidade da poesia que veio a desenvolver naquele período em São Paulo?

Principalmente, por ser a Geração Beat um movimento importantíssimo, inovador e substancioso. Se não fosse, não ia conseguir continuar escrevendo a respeito, achando mais assunto para produzir ensaios. E Ginsberg foi um poeta enorme – na escala do valor literário, inseparável, no caso dele, da rebelião. Assimilamos a beat em primeira mão, já em 1960/61. O intertexto de Paranóia de Piva com Ginsberg, Corso e outros beats é evidente.

Como você responde aos questionamentos previsíveis de que a poesia beat vacila na espontaneidade exagerada, na confusão vida e obra e do desapego a uma forma mais rigorosa na escrita do gênero?

Acho que esses questionamentos nada tem a ver com valor literário. Reclamar de confusão de vida e obra é absolutamente reacionário. Querer forma mais rigorosa é cosia de formalistas. Interessa se a obra é substanciosa, e isso nada tem a ver com a confusão de biografia e expressão, ou o modo de criar, mais espontâneo ou mais pensado. Além disso, Ginsberg copidescou bastante Uivo e Kaddish. E algumas das obras de Kerouac, ele levou anos para escrevê-las.

A Feira de Poesia no Municipal, as edições artesanais de Massao Ohno, a Antologia dos Novíssimos, foram as principais atividades de divulgação da poesia paulista anos 60/70? ou destacaria algumas outras? e nesse sentido não houve uma organização com o objetivo de organizar algum movimento mais definido que destacasse as propostas estéticas do grupo? por esse aspecto você incorpora a legenda poesia marginal para caracterizar o trabalho dessa turma naquele período?

Foram as principais? Ou precisamos de uma perspectiva histórica mais extensa? Talvez, retomar o assunto daqui a 50 anos? As edições de Massao não eram artesanais. Fazia livros de qualidade, impressos em gráficas, igual a qualquer outra editora. A distribuição é que era limitada, por motivos óbvios.

Em momento algum houve algum diálogo com os poetas concretos? afinal, por mais diferentes que fossem as propostas poéticas, havia um elo em comum: algum tipo de subversão e renovação da poesia brasileira.

Poesia concreta, em seu momento de afirmação, representava tudo o que não suportávamos: era cerebral, burocrática. E havia os erros evidentes, a idéia de que revolução tecnológica ia modificar o signo, etc. Pessoalmente, minha relação com Haroldo era cordial, e outro diz compus uma mesa junto com Augusto. Claro que converso com concretos.

Os livros Paranóia, de Piva e Anotações para um Apocalipse, seu livro de estréia também, foram escritos levando em conta quais critérios básicos, tanto no plano formal, estético, de linguagem? exisitia alguma meta específica para além do lançamento de uma poesia afiada com a linguagem beat?

Acho que escrevemos aquilo que tínhamos vontade de escrever. E a beat era uma das referências, líamos muito mais. Para mim, no plano da criação, surrealismo foi mais importante.

Durante as entrevistas para o livro Dentes da Memória, você resgatou sua trajetória como poeta e pensador da poesia brasileira assim como reavaliou um período importante para a história recente do gênero no país. Quais daqueles impulsos (lembrando o nutrir-se de Pound) ainda estão firmes hoje em dia em sua atividade?

Ambos ... Publiquei dois livros de ensaio, ‘Geração beat’ em 2009 e ‘Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e a poesia moderna’, em 2010, e estou esperando que saia meu próximo livro de poesia, ‘A verdadeira história do século XX’, pela ed. Demônio Negro.

O poeta de hoje não está longe da condição daquelas décadas: restrição editorial, editoras por demanda como opção, resistência da mídia numa veiculação da poesia e um hibridismo de formas. Nesse sentido, o movimento beat é um prato cheio para as referências que levam em conta esse contexto? ou seja, a postura beat é plenamente adequada a prática da poesia recente no Brasil?

Quando me perguntam sobre poesia e mercado, sempre observo que do tempo de Baudelaire para cá continua tudo do mesmo jeito. Nenhuma de suas críticas perdeu validade ou atualidade. Postura beat originou a contracultura, que por sua vez contribuiu para uma maior abertura nas sociedades modernas. Ou seja, constitui, em certa medida, o mundo em que vivemos – ou alguns de seus aspectos e dimensões mais interessantes.

quinta-feira, dezembro 08, 2011

POSTAIS NAS ESCADARIAS

A mostra Poesia que pergunta - dinâmica da síntese, com trabalhos do Bando Hoburaco durante a oficina ministrada por Diego Petrarca, inaugurou ontem no CCCEV. Expostos entre o segundo e quarto andar, os poemas perguntas alteram o ambiente das escadarias, tornando o ato de subir/descer escadas também uma experiência poética. Entre outras informações que seguiram sobre a mostra, o Jornal do Comércio dá o serviço, confiram.











segunda-feira, dezembro 05, 2011

CLIPOEMA

video

Gravado em 2009, vários poetas gravaram vídeos com poemas seus ou de autores que admiram para o projeto Cidade Poema. Parte desse material foi editada em minimetragens com cerca de 30 segundos, já exibidos em salas do Cinesystem do Shopping Total de Porto Alegre, acompanhando as sessões diariamente, durante um mês. Aqui, Diego Petrarca.

Os curtíssimas-metragens também foram vistos no Cine Bancários, em sessões especiais na Feira do Livro de Porto Alegre e acompanhando exposição de fotos e ilustrações na Câmara de Vereadores de Porto Alegre.

Direção: Laís Chaffe

Música: Beto Chedid
Direção de fotografia: Rodinério da Rosa
Edição: Tiago Demaman
Direção de produção: Kika Lisboa.

terça-feira, novembro 29, 2011

MOSTRA POESIA QUE PERGUNTA



O Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) inaugura dia 6 de dezembro, às 19h, a mostra de trabalhos elaborados na Oficina Literária Dinâmica da Síntese – Poesia que Pergunta, com Diego Petrarca, um dos diversos eventos que integrou a programação do Porto Poesia 5, em outubro deste ano. As atividades foram realizadas e promovidas pelo CCCEV e pela Porto Poesia Produtora.

O material, produzido pelo Bando HoburacoPaulo Ohar, Mariah de Olivieri, Delma Gonçalves, Bernadette Saidelles, João Alberto Luiz e Dênia Palmira, contando ainda com a participação de Domingos Sávio, será exposto nas escadarias do 2º e 4º andares da instituição.

O público poderá visitar até o dia 17 de dezembro, de terça à sexta-feira, das 10 às 19h e no sábado, das 11 às 18h, na Rua dos Andradas, 1223, Centro Histórico de Porto Alegre. A entrada é franca. Informações pelos telefones (51) 3228.9710 – 3226.5342 – 3226.7974.





segunda-feira, novembro 28, 2011

LADODENTRO ENTREVISTA - ARNALDO ANTUNES



"A poesia se libertou dos livros para ocupar vários suportes diferentes, isso é muito rico e também muito sedutor para os poetas enfrentarem, a maneira da poesia estar incorporada a vida das pessoas, seja no elevador, no muro, na tela do computador, na tela de cinema, enfim, na camiseta estampada... eu acho que isso traz a poesia para a vida de um jeito muito legal e cada suporte desse acaba exigindo um diálogo do poeta com um meio diferenciado e isso dá um resultado muito bacana".



O poeta e compositor Arnaldo Antunes respondeu algums perguntas em sua passagem por Porto Alegre, quando apresentou seu show Iê Iê Iê, pela segunda vez na cidade. Pouco antes de começar a sua palestra sobre poesia e criação no teatro Túlio Piva, em julho de 2011, gravei as respostas que Arnaldo concedeu, cujo foco foi basicamente o que ele comentou em 1 hora de bate papo em sua palestra: poesia, criação e afins.


A opção pela música foi uma forma de desenvolver a poesia?

Não necessariamente existe uma hierarquia na minha cabeça entre música e poesia. Na mesma época em que eu manifestei o meu desejo de compor e ter aula de violão, na adolescência, foi no mesmo período em que eu me interessei por poesia. As duas coisas juntas, poesia e canção, me influenciaram ao mesmo tempo. Na verdade eu me considero um artista da palavra que exercita ela em outras linguagens. Eu não faço música instrumental, faço canções. Não faço artes visuais apenas, faço poemas visuais, mas sempre envolve o trato com a palavra e a sua especificidade em cada código. Na minha cabeça essas duas coisas caminham paralelamente, sem haver prioridade entre uma em relação a outra.

Entre seu primeiro livro, OU E, que era uma caixa com poemas caligráficos e o Psia, seu primeiro trabalho de poemas para livro, existe algum relação entre essas duas primeiras obras?

O primeiro era um livro todo artesanal, todo ele feito em caligrafia, cada trabalho era um tipo de dobra diferente, um tipo de papel diferente, um livro todo feito a mão mesmo. Fiz 500 exemplares, edição de autor, nunca reeditei, porque também é difícil reeditar. Só na antologia que saiu pela Publifolha, Como é que chama o nome disso (2006), que saíram alguns trabalhos desse livro. A diferença é que o primeiro é um livro muito específico, um livro-caixa, para ver os poemas numa ordem que você mesmo determina, e o Psia não, já é um livro num formato mais convencional. Mas mesmo no Psia tem muitos trabalhos visuais, a linguagem gráfica associada ao verbal sempre fez parte da minha produção, é uma preocupação constante, claro que isso aparece mais em alguns poemas do que em outros, tem uns mais verbais, tem outros em que o aspecto visual é mais evidente. E a caligrafia é algo que eu continuei fazendo, é uma paixão, é uma ideia de entonação da escrita, assim como existe uma entonação da palavra nas canções, tem uma entonação visual na caligrafia, a maneira de grafar manualmente as palavras acaba dando novos sentidos a ela. Isso eu desenvolvi em outros trabalhos, fiz uma exposição já nos anos 2000, só de caligrafia, sempre em meus livros tem algum trabalho caligráfico, é mesmo uma paixão.

Letra de música e poesia são processos de criação diferentes? Eu lembro que a canção O que ganhou uma versão impressa e saiu no seu livro de 1986, Psia, com aquele formato visual circular. Você pensa o poema para página do mesmo modo que você pensa para a canção, ou as duas coisas se confluem?

Essa é uma pergunta bem ampla, envolve várias coisas. Eu faço conferências que são quase todas sobre isso. Eu acho que são linguagens diferentes sim. A letra a canção está numa situação de linguagem diferente da letra impressa no papel, mas a poesia hoje em dia tem muitos suportes e cada suporte exige um tratamento diferente do uso da palavra, ao mesmo tempo existe uma intersecção, essa matéria em comum, a palavra em si que ocorre na canção e nos poemas, tem diferenças, mas existe essa intersecção.

O que é para você uma poesia de invenção?

Uma poesia curiosa, de querer experimentar novas soluções para além do que já se conhece.

Oswald de Andrade Paulo Leminski e são duas referências suas, que impacto esses autores tiveram em sua formação? quais as novidades poéticas desses autores que você incorporou?

Oswald de Andrade eu conheci ainda no colégio, na adolescência e me encantei com a poesia dele, muito sintética, ao mesmo tempo muito coloquial, muito solta, a sintaxe próxima da fala, aliás eu acho que Oswald era muito próximo da música popular que vinha se fazendo nos anos 20, Noel Rosa, Lamartine Babo, embora ele não tenha tido convívio com esses compositores. O cineasta Júlio Bressane forjou esse encontro em seu filme Tabu, de 1982. O Leminski, desde a primeira vez que li as coisas dele eu me encantei, me apaixonei pelo Catatau, foi o primeiro livro dele que eu li. Conheci ele pessoalmente, quando ele ia para São Paulo ficava hospedado lá em casa, grande amigo e poeta admirável, ele conseguia juntar a erudição com a contracultura, do punk, do underground, ele era um poeta muito culto, pegava s referências da poesia mais antiga, Li Tai-Po, Homero, as leituras clássicas, e ao mesmo tempo pegava o que havia de potente nisso e trazia para o universo contracultural em que ele atuava.

Você utiliza muito em sua poesia a linguagem infantil gerando um efeito poético, o livro As Coisas, é todo feito a partir do olhar infantil, depois o livro que você organizou Frases do Tomé, qual outro tipo de linguagem da fala que desconcerta a linguagem e que possa ser útil a poesia?

O Antônio Risério tem aquele livro Oriki Orixá, onde ele fala das culturas tribais e da necessidade de incorporar a nossa historiografia literária esss textos quw são textos quw não considerados e são registros de criações orais e não são escritos, como se fosse a infância da poesia nas culturas primitivas, tem uma coisa muito interessante e surpreendente nisso. Tem um poeta americano que trabalha muito com isso, a chamada etnopoesia, o Jerome Rothenberg. É uma poesia a ser descoberta, essa dos cânticos das tribos indígenas, do candomblé, culturais orais que desenvolvem uma linguagem que na verdade não pretendem ser poesia, pois são culturas orais onde não se diferencia poesia e culto, brincadeira e vida.

domingo, novembro 20, 2011

DENTES DA MEMÓRIA




Concebido para um trabalho de conclusão de curso e lançado pela editora Azougue Editorial agora em 2011, Dentes da Memória desenvolve a representação da poesia beat no Brasil, concentrada na cidade de São Paulo nos anos 60. 

Tendo os poetas  Roberto PivaClaudio WillerAntonio Fernando de Franceschi e Roberto Bicelli como grupo núcleo, o livro apresenta documentos dessa geração que esteve afinada com a proposta poética e comportamental da poesia beat, em que a vida e a poesia estavam interligadas como duas instâncias inseparáveis. O retrato dessa experiência e período da poesia brasileira merecia esse resgate, porque normalmente a geração de 45 e poesia concreta são as mais constantes referências desse período, seguido da poesia marginal dos anos 70, talvez a mais familiarizada com a identidade beat. 

Esse quarteto de autores paulistas fez história e produziram um conteúdo com clara personalidade literária. Dentes da Memória é um livro fundamental e completo nesse sentido, fruto  de 4 anos de pesquisa e entrevistas conduzidas pelas jornalistas Renata D'Elia e Camila Hungria.

quinta-feira, novembro 17, 2011

LIÇÃO DO DIA





Lição do dia, baseado em uma fotoarte, saiu em ZH nessa quinta, 17 de novembro. "Crimes suaves que ajudam a viver", já dizia o essencial e absoluto Drummond.

terça-feira, novembro 15, 2011

TRECHO PUTZPOESIA



Ouça um trecho do programa PutzPoesia, toda sexta as 19:00 na http://radioputzgrila.com.br/site/, com Fernando Ramos e Diego Petrarca.
Confira também o blog do programa http://putzpoesia.blogspot.com/

trecho: http://minicasts.podomatic.com/play/1430063/2633021

A VIDA NÃO BASTA - LEITURA SOBRE FERREIRA GULLAR NA FEIRA DO LIVRO






A Vida Não Basta: leitura sobre poemas de Ferreira Gullar domingo dia 13/11 na Feira do Livro. Público numeroso e um panorama da obra do poeta. Canções, informações sobre o autor, além de trechos de uma entrevista e depoimentos exclusivos concedidos pelo poeta, como este que segue abaixo. Com Andréia Laimer, Diego Petrarca, Guto Leite e Lorenzo Ribas.



"É com muita alegria que me dirijo a ...vocês, visitantes da Feira do Livro de Porto Alegre. Este é um evento tradiconal que tem contribuido amplamente para a difusão do livro e o estímulo à leitura. Se digo isso é porque o livro - a literatura enfim - tem para mim grande importância, pois é ela um dos fatores constitutivos de nossa vida, de nossa condição de ser humano, já que o que somos são os valores que inventamos e dão sentido à existência. Além disso, a literatura, como a arte em geral, tornam a vida mais rica, mais bela. Daí porque costumo dizer que a arte existe porque a vida não basta." 

F. Gullar.

sábado, novembro 12, 2011

YÛGEN - TOMIE OTHAKE E HAROLDO DE CAMPOS







Yûgen, significa, profundidade e mistério. Foi um trabalho verbovisual composto pela pintora japonesa radicada em São Paulo Tomie Othake e o poeta Haroldo de Campos. Reunidas num álbum, essas pinturas poemas foram lançadas em 1998 e incorpora a pintura da letra ao traço, a frase manuscrita é também o traço da pintura. Um belo resultado intersemiótico entre verbo e imagem, gerando nessa fusão um signo artístico  para ler e ver. 

terça-feira, novembro 08, 2011

MARCADORES DE PÁGINA DA LETRAS & CIA

Genial o projeto da livraria Letras & Cia de estampar poemas nos marcadores de página,  o objeto que divide e pontua a pausa da página na leitura torna-se também uma peça literária. Dentre outros autores que enviaram seus textos para essa prática está Diego Petrarca. O mesmo marcador ainda traz textos de Alexandre Luchesse e Marcos de Andrade





A VIDA NÃO BASTA

Dia 13 de novembro, domingo, leitura na 57ª Feira do Livro sobre Ferreira Gullar. Na Tenda de Pasárgada as 20h. Um panorama da sua poesia desde seu segundo livro, A Luta Corporal, de 1954, até sua obra mais recente, Em Alguma Parte Alguma, de 2010, seguido de leituras em áudio do próprio autor. Com Andréia Laimer, Diego Petrarca, Guto Leite e Lorenzo Ribas, entrada franca. 



sábado, novembro 05, 2011

HOBURACO NA FEIRA DO LIVRO



O Bando Hoburaco em ações na Feira do Livro 2011: Leitura Íntima e poemas pergunta autorais, registrados em postais distribuídos em intervenções ao longo da programação do evento literário mais badalado do Rio Grande do Sul.  

terça-feira, novembro 01, 2011

MORADAS DE ORFEU




Diego Petrarca e outros poetas daqui estão integrando essa Antologia.

Moradas de Orfeu é uma antologia de 59 poetas do sul do Brasil. Novas vozes poéticas que habitam os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O poeta e crítico de teatro e literatura Marco Vasques organizou e agora distribui, gratuitamente, no dia 8 de novembro, na Fundação Cultural Badesco, a partir das 19h:30 min. Ano que vem tem lançamento em Porto Alegre.

O objetivo da Antologia é mostrar as divresidades e dicções poéticas da produção recente, apresentando a linguagem uma geração que produz poesia nos tempos de hoje.

FILME LEITURA SOBRE DRUMMOND



Olha só que máximo o filme produzido pelo Instituto Moreira Salles e realizado pela Mira Filmes sobre os 109 anos do poeta Carlos Drummond de Andrade comemorados ontem, 31 de outubro. Só nomes de peso da nossa cultura lendo poemas do mestre. Para assistir o filme é só clicar abaixo. Basta uma câmera em frente a uma pessoa lendo um texto. Todo cinema se faz: cinepoesia/cinepoema, como já dizia Godard. Dica de Marina Person, que também aparece no filme, Confira: 

http://vimeo.com/31252975

sábado, outubro 29, 2011

FEIRA DO LIVRO 2011





Na 57ª Feira do Livro de Porto Alegre, ano 2011: Oficina Literária Trânsito entre Gêneros , ministrada por Diego Petrarca , dias 4 e 5 de novembro, as 16:30 no CCCEV. E dia 13 de novembro, as 20:00 a leitura em homenagem aos 80 anos do poeta Ferreira GullarA Vida Não Basta,  com Diego PetrarcaAndréia LaimerLorenzo Ribas e Guto Leite.

As intervenções do Bando Hoburaco, grupo que se formou nas oficinas do CCCEV ao longo do ano de 2010, serão distribuídas entre as datas da Feira,  leitura  e postal poético em eventos determinados. Além disso, a exposição fotográfica dos poetas do projeto Cidade Poema http://t.co/1Ufjy9Ql vai acontecer na Casa do Pensamento ao longo de toda Feira do Livro, assim como a exposição Código Coletivo (foto abaixo) http://bit.ly/rMwHwm organizada por Sandra Santos, estará no  Memorial do Rio Grande do Sul também como parte da programação.

terça-feira, outubro 25, 2011

ENTREVISTA POÉTICA - CLÁUDIA TAJES


Nessa segunda feira, 24 de outubro, a 7ª edição de 2011 do evento Entrevista Poética, coordenado por Lorenzo Ribas e Diego Petrarca, na livraria Saraiva do Praia de Belas,  recebeu a escritora Cláudia Tajes. Além da sua temática das relações modernas entre homens e mulheres, Cláudia comentou seu trabalho na TV como roteirista e adiantou que em 2014 vai estrear como novelista. A graça do seu texto perpassa também na conversa e em sua simpatia, pouco mais de hora de uma conversa leve e sorridente. Valeu Cláudia!




quinta-feira, outubro 20, 2011

O OCIDENTE

Criado pelo artista e desenhista Rafael Espíndola, o poema de Diego Petrarca,  foi veiculado nos adesivos e em letreiros dentro do Projeto Cidade Poesia, em arte realizada por Guilherme Moojen.  Rafael agora apresenta sua versão, simplesmente sensacional.
  




sábado, outubro 15, 2011

PROGRAMA PUTZPOESIA





É toda sexta feira, as 19:00, na Rádio Puztgrila:  http://radioputzgrila.com.br/site/, Fernando Ramos, Diego Petrarca e Guto Leite, rock e poesia, leituras e canções, assuntos literários, convidados e informações sobre verso e prosa, palavra falada e cantada e muito som.  É só entrar no site e conferir, a poesia cantada e falada nas ondas sonoras da web.

sexta-feira, outubro 14, 2011

HOBURACO NO PORTOPOESIA


O bando Hoburaco, grupo formado em 2010 no CCCEV dentro da oficina de criação ministrada por Diego Petrarca, integrou mais um evento literário em Porto Alegre, o Portopoesia 5. A apresentação do grupo mostrou a produção individual dos autores Paulo Ohar (foto), Mariah de Olivieri, Delma Gonçalves, Bernadette Saidelles e João Alberto Luiz, contando ainda com a participação de Domingos Sávio. Dênia Palmira, outra integrante do grupo, não estava presente. Hoburaco orientou a sessão de leituras, que prosseguiu com a participação de outros autores e o público em geral colaborando com leituras próprias. Hoburaco já integrou eventos como o Festipoa Literária 2011, Sarau com Ritmo, Homenagem a Drummond na CCMQ, entre outros, além do Portopoesia, o grupo prepara sua intervenção durante a Feira do Livro 2011.

sábado, outubro 08, 2011

LADODENTRO ENTREVISTA - CHICO AMARAL



Chico Amaral é um dos mais atuantes letristas da música popular brasileira. Praticamente é o quinto integranteda banda mineira Skank, sendo co-autor de grande parte do repertório do grupo. Parceiro também de Milton Nascimento, Ed Motta, Beto Guedes, Erasmo Carlos, Lô Borges, Totonho Villeroy, Affonsinho, entre outros. Como compositor foi gravado por diversos nomes da MPB, como Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Cidade Negra. Chico Amaral é saxofonista e ganhou o prêmio de melhor instrumentista do concurso BDMG para compositores de música instrumental, edição 2007. Como letrista, Chico Amaral  torna-se poeta da canção e nos faz perceber que música e poesia serão sempre complementares. Os discos Livramento, de 2002 e Singular, de 2007, são trabalhos de Chico Amaral como letrista e instrumentista, mais afastados da linguagem pop presente nas canções com o Skank, deixando mais clara sua sofisticação musical.  http://www.chicoamaral.com.br/

Como você perecebe a letra de música com um status de poesia?

Chico Amaral - Jack Kerouac notou a beleza das frases de Charlie Parker, tão longas e surpreendentes, dizia ele, como as frases de Proust. O que aproxima um pouco o jazz da poesia é essa presença da frase. John Coltrane cria padrões musicais tão novos no seu fraseado que remete à recriação do mundo alcançada pelos poetas. O mesmo sinto em relação a Miles Davis e Wayne Shorter, com sua extrema originalidade. São poetas, eu sempre penso. Coltrane e Parker seriam poetas - prosadores. Há, também, uma forte analogia do jazz, e de outros tipos de música, com a pintura. A frase, os sons, o timbre, criam linhas e cores no espaço que preenchem. O jazz é cheio disso, lembra às vezes o cubismo, outras o abstracionismo, como o free de Ornette Coleman. Charles Mingus tem uma composição que se chama Self-Portrait in Three Colours.

Você tem ou terá algum projeto de publicar um volume com poemas somente impressos?

Chico Amaral - Não. Tenho feito coisas com Leo Minax, um mineiro radicado em Madrid, que lembram a poesia dos livros. É importante lembrar que existe poesia sem o livro, como em Homero, por exemplo, ou Bob Dylan. Existe até poesia sem o poeta! “A canção cantada por si mesma”, como escreveu Carlos Drummond.

Fale sobre o início de sua atividade de letrista ofcial da banda Skank.

Chico Amaral - Comecei a tocar com Samuel Rosa em conjuntos anteriores ao Skank. Depois alguém lhe contou que eu era letrista. Uma das primeiras letras que escrevi pro Skank dizia: “desde que você me disse nem/saber quem foi John Coltrane/e Noel Rosa era alguém/que seus tios gostavam bem(...)”. Fizemos muita coisa juntos. Samuel é meu grande intérprete, com o Skank, claro.

Como se dá o seu processo de elaboração da letra/poemas a partir da canção?

Chico Amaral - Começa por ser uma idéia poética. Gosto das frases escritas na cidade. Talvez o ônibus seja até melhor que o livro, tenha mais urgência, menos comodidade. Se você não ler aquilo, nunca mais, de repente, poderá fazê-lo. Eu leio tudo pelo caminho, a cidade é um grande livro caótico. Gosto de encontrar nomes de lojas bem escolhidos, em bom português: a Cantina do Lucas, Casa da Farinha, A Favorita, etc. Outro dia imaginei um nome cômico-ridículo: “Joaquim Silvério, o Rei da Traíra”. Seria ótimo encontrar, no metrô, um poema de Gregório de Matos, por exemplo.

Quais suas influências na poesia? elas se confundem com as influências musicais?

Chico Amaral - Gosto de muita gente, de João Cabral de Melo Neto a Arnaldo Antunes. É importante lembrar também a quantidade de compositores que operaram com versos mais prosaicos, aparentemente, e de enorme beleza e precisão: Dorival Caymmi, Vinícius, Erasmo Carlos, Noel Rosa, Lamartine Babo. “Eu vou pra Maracangalha, eu vou/eu vou de chapéu de palha, eu vou”. Como afirmar que isso é menos poético? Caymmi é um dos meus ídolos, toco e canto suas músicas no violão, direto.

Existe, em sua percepção, algumas palavras ditas pela música instrumental, isto é, mesmo na música sem palavras as palavras insinuam-se?

Chico Amaral - Não sei. E olhe que meu ofício é colocar palavras nas melodias que os parceiros enviam. Gosto de música instrumental, sem palavras. Para além das transformações que a palavra consegue – e para Guimarães Rosa ela consegue o infinito – está o claro enigma da música. Não precisa de palavras.

A atenção voltada para a poesia da canção, seu-se muito a partir da atotude di Vínicius de Moraes, poeta de livro que começou a escrever letras e com isso inauguraou um novo estilo em sua poesia. Você se sente continuando esse legado aberto por Vinícius?

Chico Amaral - É, foi a partir de Vinícius, assim como foi a partir de Catulo da Paixão Cearense, de Orestes “Chão de Estrelas” Barbosa, de um monte de gente. Minha mulher me pede pra publicar um livro, mas de crônicas que eu escrevi no jornal em 2001/2002. Não sei. Livro com minhas letras não. Talvez uma miscelânea com textos e aquelas letras mais malucas que não servem pra ninguém.

A poesia Beat usou o jazz como inspiração poética. Você acredita numa escrita do improviso tal qual foi possível musicalmente no jazz?

Chico Amaral - O jazz recuperou a grande arte do improviso. Bach, Mozart, Beethoven, Chopin, todos foram exímios improvisadores. No Brasil, Pixinguinha improvisava com os 8 Batutas. E Jacob do Bandolim. O improviso é para os mestres. Por trás do improviso está uma vida de estudos e preparação. O improviso não se dá em dez minutos. Ele é a cristalização de dez anos! Quanto à letra, os improvisadores que a gente conhece são os repentistas e os rappers. Criam ali na hora, em cima do modo ou da batida. Noel às vezes parece ter a rapidez do improvisador, com versos escritos no guardanapo do bar.

sexta-feira, setembro 30, 2011

PUTZPOESIA NA PUTZGRILA



Dia 30 de setembro e 2011, estreou o programa PutzPoesia na rádio Putzgrila, com Diego Petrarca, Guto Leite e Fernando Ramos.  No programa de estréia, poesia concreta e outros assuntos relacionado a música e poesia. Fique ligado, toda sexta, das 19:00 as 20:00 PutzPoesia na rádio Putzgrila, música, poesia e convidados nas ondas da web. Sempre ao vivo. É só acessar o site toda sexta feira, as 19:00. http://radioputzgrila.com.br/site/


quinta-feira, setembro 29, 2011

PORTOPOESIA 2011

Eis a programaçao do PortoPoesia 2011. Dia 15 e 16 de outubro, ocorre  a oficina literária Dinâmica da Síntese - Poesia que Pergunta. ministrada por Diego Petrarca, numa das salas do Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo. O grupo Hoburaco estará também se apresentando com leituras no dia 12 de outubro.


terça-feira, setembro 27, 2011

ENTREVISTA POÉTICA COM VALESCA DE ASSIS

O evento Entrevista Poética da última terça feira, dia 27 de setembro, convidou a escritora Valesca de  Assis para uma conversa sobre literatura e suas obras. Diego Petrarca e Lorenzo Ribas conduziram o bate papo por uma hora. Na plateia, escritores ilustres de Porto Alegre vieram prestigiar a autora. Valesca de Assis estreou na literatura em 1990 já conta com uma produção que inclui romances, novelas, livros infantis e crônicas. Seu livro mais recente é Um dia de gato, foi lançado em 2010. A conversa flui e destacou a inteligência e sensibilidade da escritora gaúcha.