quinta-feira, junho 05, 2008

AUGUSTO DE CAMPOS







Um dos nossos objetivos em São Paulo foi visitar o poeta Augusto de Campos. Marquei com ele aqui em Porto Alegre algumas semanas antes de nossa ida. No dia 02 de junho, segunda feira, fomos recebidos por volta das 17:30 em seu apartamento no bairro Perdizes. Conversamos por volta de três a quatro horas, esperávamos menos tempo, mas a conversa foi se estendendo a medida que nossa empolgação ia sugerindo outras pautas. Augusto nos deixou muito a vontade, já imaginava como seria sua recepção, um cuidado em nos deixar mais tranqüilos perante a sua presença ali, sentado conosco em sua sala. Falamos de literatura, música, Lupicínio RodriguesTropicalismoHaroldo de Campos e, evidentemente, de poesia e concretismo. E muitas outras coisas que surgiam a partir disso.

Havíamos feito, Lorenzo e eu, um repertório de assuntos, em parte obedecemos esse repertório, por outro lado deixamos esse programa de lado, reconhecendo-o dispensável perante as abordagens de Augusto que, a medida que falava, ia respondendo aqueles itens. Saímos satisfeitos em conhecer um poeta-referência que em nenhum momento mencionou abreviar nossa conversa movido por alguma pressa, ao contrário, percebíamos nele uma vontade em estar ali falando de sua obra e seus temas preferidos para dois jovens interessados nele e no objeto de seus assuntos.




Eu sempre tendo a considerar insuficiente meu desempenho em encontros como este, mas estávamos Lorenzo e eu conscientes de algo que Augusto nos passava naquela hora, prazer descontraído na conversa que em momento algum deixou a formalidade atrapalhar a fluidez das nossas falas. Saímos do apartamento já prometendo nova visita, meu beijo no rosto de Augusto talvez fosse a maneira de agradecer aquela abertura: a honestidade de um poeta dividindo com seus admiradores parte de sua paixão. Essas coisas ajudam a acreditar. São Paulo nunca me pareceu tão fundamental como naquelas horas junto a Augusto. Saímos de lá depois de 3 três horas com a sensação de que ainda era cedo.